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Mariana Meerhoff

emailmm@dmu.dk

Mariana Meerhoff é bióloga, professora e pesquisadora na Universidade da República, no Uruguai, e também pesquisadora associada à Universidade de Aarhus, na Dinamarca. Seus principais temas de pesquisa incluem ecologia aquática de lagos subtropicais e o efeito das mudanças climáticas sobre os mesmos.

Entrevista: Mariana Meerhoff (Parte 2)

Na segunda parte da entrevista, a Professora Mariana Meerhoff responde a mais duas questões importantes: Quais ações podem ajudar a amenizar os efeitos das mudanças climáticas e o que os ecólogos e a população em geral podem fazer? Não deixe de conferir!



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Revista Bioika (RB): Existem várias tentativas de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas ao redor do mundo. Em sua opinião, essas tentativas têm sido bem sucedidas? Se elas não tiveram sucesso qual poderia ser uma sugestão para melhorar esses cenários?

Mariana Meerhoff (MM): Bem, para mitigar a mudança climática teríamos que modificar as emissões de gases de efeito estufa, a primeira coisa. A qual implicaria a recuperação dos mecanismos naturais de aprisionamento de carbono como, por exemplo, a existência de florestas e bosques com extensões muito importantes. Essa seria a principal medida de mitigação e fazer mudanças tecnológicas para reduzir as emissões de CO2, de metano, óxido nitroso, que são gases que vêm de indústrias. Mas também que vêm do mau uso que fazemos do solo. Vêm de mudanças que fazemos na quantidade de água, nas condições de oxigenação. A pecuária também emite muitos gases como o metano. Então, para mitigar a mudança climática devemos reconstruir a capacidade dos ecossistemas de capturar carbono e melhorar as tecnologias. Transformar as tecnologias que atualmente contaminam, em tecnologias verdes, formas de energia que têm menos impactos. É praticamente impossível pensar que não haverá impactos devido ao consumo que fazemos dos recursos naturais e à geração de energia. Mas, existem maneiras de diminuir esses impactos e acredito que as tentativas ainda são muito tímidas, para mudar esses aspectos. Eu acredito que na América Latina temos um enorme desafio porque ainda estamos em um estágio de aceleração da poluição da perda de bosques e florestas, da intensificação agrícola. Estamos vivendo agora o que aconteceu na Europa há várias décadas. Acho que estamos perdendo a oportunidade de desenvolvermos com um desenvolvimento que seja sustentável. Acho que ainda não nos demos conta dessa oportunidade.

RB: Qual pode ser a iniciativa dos ecólogos para envolver a população na mitigação das mudanças climáticas? E qual pode ser a real contribuição dos cidadãos?

MM: Bem, acho que a principal responsabilidade dos ecólogos é, como neste caso, transmitir à população o mais claramente possível, que estamos enfrentando um desafio que é enorme e que é planetário e que de alguma forma todos somos responsáveis,alguns mais do que outros. Mas, o futuro do planeta é compartilhado. E aqueles que são mais vulneráveis hoje são aqueles que mais vão sofrer as consequências dos desastres ambientais. As pessoas mais pobres são as primeiras a sofrer os efeitos da degradação do meio ambiente. Os países mais ricos, pessoas mais ricas, os países em desenvolvimento, não têm problema de água que não é potável porque podem comprar sua água. Podem se mudar para outro lugar, viver em outro lugar, se seu ambiente perde qualidade. As pessoas mais pobres não têm essa possibilidade. Então, é uma responsabilidade de toda sociedade perceber que o futuro de todos está em risco. Mas, principalmente daqueles que hoje já estão muito vulneráveis. Então, o que toda a população poderia fazer? Primeira coisa, estar ciente disso. De que não estamos falando sobre o futuro. Isso é o presente. Estes efeitos são hoje. E todos nós temos responsabilidade enquanto consumimos, por exemplo. Consumimos muitíssimo mais do que precisamos. Todos, em nível mundial, alguns muito mais que outros. Mas os extremos são muito prejudiciais ao meio ambiente. Riqueza extrema causa muito dano ao meio ambiente e a pobreza extrema também. Então, todos nós devemos ter o que é justo. O que precisamos pensar toda vez que vamos fazer uma compra, é se realmente precisamos dessa nova tecnologia, desse novo celular, dessa nova roupa. Uma roupa envolve cultivo para gerar algodão. Ou usar combustíveis para gerar plástico com o qual produzimos têxteis. Então, em cada decisão, por menor que seja, está implicando que estamos usando recursos naturais. Então, nós temos que aumentar a conscientização. Talvez nós vamos comprar, mas sabendo que estamos deixando uma marca. É importante pelo menos isso. Começar sendo conscientes que toda água que consumimos, é água que já não vai estar disponível na natureza, por exemplo. Quando alguém percebe isto, lentamente vai modificando seu comportamento e também exigindo daqueles que realmente podem mudar as coisas, que todos merecemos viver em um ambiente melhor. E isso também tem que partir da população em geral, a responsabilidade, o direito e o dever de viver em um lugar melhor hoje e também amanhã para aqueles que virão.

Você pode conhecer mais sobre o trabalho desta incrível pesquisadora em seu perfil na plataforma research gate. Acesse: https://www.researchgate.net/profile/Mariana_Meerhoff


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Anielly Oliveira

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Bióloga por paixão, acredito que o conhecimento científico gerado na academia deve buscar meios de encontrar a sociedade. Quanto mais isso for feito, menos políticas errôneas serão adotadas pelos tomadores de decisões.

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De acordo com minha formação na educação pública, acredito na necessidade de fazer acessível para todos, os resultados das pesquisas científicas. O que é feito? Para que serve? Como posso contribuir? Acredito que o trabalho multidisciplinar é a chave para propor soluções que possam gerar uma sociedade justa, sustentável e igualitária.

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Alfonso Pineda

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Sou biólogo colombiano, finalizando doutorado no Brasil. Acredito que qualquer uma das áreas do conhecimento pode contribuir para a melhoria da vida dos demais, e que a educação é uma ferramenta poderosa. Além disso, acredito que o acesso a informação permite às pessoas maior protagonismo social.

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Rafaela Granzotti

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Sou bióloga e doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Evolução da Universidade Federal de Goiás. Acredito que em um mundo globalizado e informatizado como o nosso, informação de qualidade é essencial para que as pessoas tomem decisões e assim sejam agentes de mudança para um mundo mais sustentável.


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