Biohistória: relatório Planeta Vivo

A próxima edição do Relatório Planeta Vivo (Living Planet Report) do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) está prevista para ser lançada em 2026. Mas por que devemos falar disso?

O Relatório Planeta Vivo é uma publicação bienal (desde 1998) da WWF em parceria com a Sociedade Zoológica de Londres que avalia as tendências da biodiversidade global e da saúde do nosso planeta utilizando diferentes indicadores, sendo o principal o Índice Planeta Vivo (LPI). Para calcular esse índice são utilizados dados de populações monitoradas de vertebrados (mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios) para estimar a mudança média no tamanho dessas populações desde 1970. Esse percentual representa a variação média ao longo do tempo, e não a quantidade absoluta de indivíduos perdidos. Embora o índice seja baseado em vertebrados, ele é amplamente utilizado como um indicador da biodiversidade global.

O que o último relatório nos diz?



De acordo com o último relatório, publicado em 2024, estamos diante de um cenário de “alerta vermelho”, e a região da América Latina e o Caribe é o epicentro dessa crise. As principais ameaças que pressionam a biodiversidade global e atingem nossa região de forma desproporcional são:

• Degradação e Perda de Habitat: É a campeã das ameaças. O sistema alimentar humano, especificamente o desmatamento para agricultura e pastagem, tem sido amplamente apontado como o principal motor da perda de biodiversidade global. Um exemplo crítico é o nosso Gran Chaco (entre Argentina, Paraguai, Bolívia e Brasil), que hoje sofre um dos desmatamentos mais rápidos do planeta.

• Exploração Direta: A caça, a pesca insustentável e o comércio ilegal de vida selvagem continuam sendo ameaças proeminentes à biodiversidade.

• Espécies Invasoras e Doenças: A introdução de espécies não nativas que competem com a fauna e flora locais ou trazem novas doenças letais.

Poluição: Do plástico nos oceanos ao uso excessivo de agroquímicos no solo.

• Mudanças Climáticas: O relatório alerta para os “pontos de não retorno” (tipping points). Isso acontece quando o impacto acumulado é tão grande que o ecossistema colapsa e perde a capacidade de se recuperar. Na América Latina e Caribe, a crise climática, somada a outros fatores previamente citados, intensifica a pressão sobre os ecossistemas e agrava significativamente a perda de biodiversidade na região.

O Epicentro da Perda de Biodiversidade



Infelizmente, os dados atuais mostram que a América Latina e o Caribe registram, de longe, o declínio mais drástico do mundo. Segundo o relatório, nossa região sofreu uma queda média de 95% no tamanho das populações de vertebrados monitorados entre 1970 e 2020.

Para se ter uma ideia da gravidade, a segunda região mais afetada é a África (76%), enquanto a média global é 73%. Isso ocorre porque aqui, a perda de habitat e as mudanças climáticas não atuam isoladas; elas somam forças de forma devastadora.

Um exemplo triste vem dos dados da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza): os anfíbios são o grupo de vertebrados mais ameaçado (cerca de 41% em risco). Uma das hipóteses para esse declínio é que as mudanças climáticas podem alterar as condições de umidade em florestas de altitude nos Andes e na América Central, potencialmente favorecendo a propagação do fungo Chytrid. Ainda que essa relação seja complexa e debatida entre pesquisadores, esse fungo é capaz de dizimar populações inteiras de sapos e rãs em questão de meses.

O impacto no Nosso Cotidiano

A perda dessas espécies é um sinal direto de que os sistemas que sustentam nossa água, comida e clima estão em perigo. Diante desse cenário, convidamos você a refletir: como a perda da biodiversidade afeta sua vida?

Referências


WWF (2024) Living Planet Report 2024 – A system in Peril. WWF, Gkand, Switzerland.
Hannah Ritchie and Fiona Spooner (2024) - “The 2024 Living Planet Index reports a 73% average
decline in wildlife populations — what’s changed since the last report?” Published online
at OurWorldinData.org. Retrieved from: 'https://archive.ourworldindata.org/20251125-
173858/2024-living-planet-index.html' [Online Resource] (archived on November 25,
2025).
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