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Ángela L. Gutiérrez C.

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Ángela L. Gutiérrez C., Anielly Oliveira, Mirtha Angulo, Raffael M. Tófoli, Rosa M. Dias

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Comitê científico


Aleja Vélez Denhez, Alexandrina Pujals, Alfonso Pineda, Amanda Cantarute, Bárbara Angélio Quirino, Carlos E. A. Soares, Carolina Gutiérrez C., Edna L. Amórtegui, Fabrício Oda, Gabriela Doria, Gustavo H. Z. Alves, Luciana Oliveira Dos Santos, Oscar Pelaez, Rafael F. Ferreira, Rafaela V. Granzotti, Sonia Y. Rodríguez C.

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David González

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Andrés Gaviria, Frederico Favoreto, Oscar Pelaez

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As invasões biológicas no mundo globalizado

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A melhor maneira de evitar as indesejáveis consequências das espécies invasoras é evitar que elas aconteçam, caso contrário o controle destas espécies se torna extremamente difícil e, talvez, sua remoção completa do ambiente invadido seja impossível.


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Por que só temos cangurus na Austrália? Por que não temos onça-pintada nas savanas africanas? Por que não temos suricates na América? Bem, os locais onde as espécies ocorrem naturalmente possuem uma história e características do ambiente próprias de cada um. A Austrália por exemplo, foi uma das primeiras partes a se destacar do grande continente chamado Pangea, há milhões e milhões de anos (Figura 1). Isto fez com que aquela área isolada por tanto tempo, apresente uma flora e uma fauna únicos. Porém, em um mundo cada vez mais globalizado, onde podemos alcançar até os lugares mais distantes com facilidade graças às inúmeras formas de transporte, este conjunto de organismos caraterísticos de cada parte do mundo também se encontra cada vez mais conectado. As atividades humanas têm redistribuído espécies para áreas distintas de sua origem e, no novo ambiente, estas espécies introduzidas podem se relacionar com o ambiente local e com as espécies naturalmente pertencentes àquele lugar de formas positivas, negativas ou neutras.

Mas, quando começaram as invasões biológicas geradas pela ação humana? Muito provavelmente, desde os primórdios da humanidade quando povos nômades percorriam longas distâncias com suas próprias pernas em busca de sobrevivência e levavam, mesmo que inconscientemente, algumas espécies em sua jornada. Quem pode saber quem elas eram? (Figura 2).

Indígenas

Quem sabe eram bactérias ou outros microrganismos, sementes, ovos e, por que não, animais? Somos uma espécie exploratória, inquieta e constantemente em busca de recursos naturais. Ao longo da história, a humanidade e seus inúmeros grupos de natureza multifacetada desenvolveram, cada vez mais, a necessidade de comunicação, de realizar trocas de experiências culturais, alimentos e matéria-prima para os diversos setores da economia. Com o passar dos anos, as viagens se tornaram mais frequentes, desta vez, com auxílio de animais como cavalos, búfalos, camelos e dromedários, muitos dos quais arrastavam consigo carroças repletas de produtos de várias origens. Na água, embarcações ainda não motorizadas, a não ser pela força do vento ou dos braços de bravos marinheiros e escravos, conseguiram transpassar enormes barreiras permitindo a comunicação entre continentes distantes e a colonização de ilhas antes inabitadas pelo ser humano. Em adição, o desenvolvimento tecnológico propiciou deslocamentos mais velozes e mais eficientes. Carros, navios e aviões circulando por toda parte, traçando rotas que riscam o planeta de fora a fora, 24 horas por dia (Figura 3). Sim, vivemos em um mundo altamente conectado no qual é possível caminhar amanhã pelas ruas de algum lugar do outro lado do mundo.

Este constante movimento resultou e, ainda resulta, na introdução de muitas espécies. Basicamente, o que acontece é que transportamos, de forma intencional ou não, espécies para fora de sua área de distribuição original. Boa parte delas consegue se adaptar muito bem ao chegar no novo habitat, se reproduzindo e se proliferando. As consequências são variadas, como alterações no ecossistema, redução populacional das espécies locais, eliminação de espécies nativas por competição, além de impactos sociais e prejuízos econômicos que podem chegar a cifras milionárias.

Aedes aegypti

É importante reconhecer que estas espécies não são uma realidade distante, mas estão mais próximas do que podemos imaginar. Elas estão em nossas casas, em nossa alimentação cotidiana e em nossa caminhada no fim da tarde. São tantos exemplos que é difícil escolher alguns. Estamos falando de plantas, abelhas, peixes, animais domésticos, dentre outros. Por exemplo, o Aedes aegypti, mosquito que transmite a dengue, o zika vírus e a chikungunya, tem sua origem na Ásia e foi disseminado para diversas outras partes do mundo, causando epidemias graves destas doenças (Figura 4).

Mapa aedes aegypti

Para termos uma ideia da dimensão dos efeitos de uma espécie invasora, um estudo publicado na Revista Nature, por Loss e colaboradores em 2013, estima que a introdução do gato doméstico proveniente do Meio Oriente, nos E.U.A., é responsável pela morte de 1,3 a 4 bilhões de pássaros e 6,3 a 22,3 bilhões de mamíferos todos os anos. Ainda na América do Norte, especificamente nos Grandes Lagos, o custo para o manejo e controle do impacto da espécie invasora Dreissena polymorpha (Mexilhão-zebra / zebra mussel) originaria do mar Cáspio (Europa-Asia), sobre a infraestrutura hidráulica para produção de energia, suprimento de água e transporte supera, anualmente, 500 milhões de dólares (Figura 6) (IPBES, 2018).

Individuos de mexilhão zebra

As invasões biológicas ganharam papel de destaque, especialmente após a publicação do livro “A Ecologia das Invasões por Animais e Plantas” (The Ecology of Invasions by Animals and Plants em inglês) em 1958, por Charles Elton. Esta obra é reconhecida como o marco científico do início de um novo eixo de estudos, a Biologia das Invasões. Desde então, cientistas de todas as partes do mundo têm realizado pesquisas com diversas espécies invasoras e seus efeitos, desde microrganismos a espécies de plantas e animais de grande porte (Figura 7). As conclusões derivadas deste enorme arcabouço de estudos não deixam dúvidas, para a maioria dos pesquisadores, de que o potencial efeito negativo gerado pelas espécies invasoras demanda uma medida para a qual cabe muito bem um famoso ditado popular: “Prevenir é melhor do que remediar”. Isso mesmo, a melhor maneira de evitar as indesejáveis consequências das espécies invasoras é evitar que elas aconteçam, caso contrário o controle destas espécies se torna extremamente difícil e, talvez, sua remoção completa do ambiente invadido seja impossível. No ano passado, a Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services- IPBES) publicou o “Relatório Global de Avaliação da Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos”. Neste relatório, as invasões biológicas, assim como outros impactos como a degradação de habitats e as mudanças climáticas, estão entre as principais ameaças à biodiversidade e aos serviços ambientais prestados às pessoas que vivem nas Américas. Em um cenário no qual estamos perdendo muitas espécies a cada dia, a Revista Bioika apresenta sua quarta edição com o tema “Invasões biológicas”, e sob um diálogo aberto, apresenta concordância com os resultados da maior parte das pesquisas realizadas mundialmente, de que as invasões biológicas afetam de forma negativa e profunda as espécies em seus habitats nativos. Esta ameaça atua também como um forte agente de alteração das estruturas sociais e econômicas das regiões afetadas, comprometendo diretamente a qualidade de vida das pessoas e o futuro das próximas gerações.

Pescador com peixe
Pescador com peixe
Peixes
Pescador con pescado

Referências

  • Assessment Report on Biodiversity and Ecosystem Services for the Americas. Disponible en: https://www.ipbes.net/assessment-reports/americas
  • LOSS, S. R.; WILL T. & MARRA, P.P. 2013. The impact of free-ranging domestic cats on wildlife of the United States. Nature Communications 4: 1396.

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