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Direção


Ángela L. Gutiérrez C.

Comitê editorial


Ángela L. Gutiérrez C., Anielly Oliveira, Mirtha Angulo, Raffael M. Tófoli, Rosa M. Dias

Alfonso Pineda, Ana Marcela Hernández

Rafaela G. Rauber

Comitê científico


Aleja Vélez Denhez, Alexandrina Pujals, Alfonso Pineda, Amanda Cantarute, Bárbara Angélio Quirino, Carlos E. A. Soares, Carolina Gutiérrez C., Edna L. Amórtegui, Fabrício Oda, Gabriela Doria, Gustavo H. Z. Alves, Luciana Oliveira Dos Santos, Oscar Pelaez, Rafael F. Ferreira, Rafaela V. Granzotti, Sonia Y. Rodríguez C.

Comitê de comunicação


David González

Ana Marcela Hernández, Isabela Machado e Lucas Waricoda

Alejandro Vallejo, Andrés Gaviria, Frederico Favoreto, Oscar Pelaez

Jade Maciel

Panorama dos recursos hídricos no mundo atual e perspectivas para o futuro

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O acesso à água para uma vida digna deve ser um direito fundamental de todo ser vivo. É hora dos governos organizarem os territórios em torno da água e repensarem os hábitos de consumo pensando em quem vive e em quem viverá.


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A disponibilidade e a distribuição da água são as maiores preocupações mundiais para o século XXI. De fato, em julho de 2010, foi reconhecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas, o direito humano à água e ao saneamento, que deve garantir uma quantidade mínima entre 50 e 100 litros diários por pessoa. Além disso, deve possuir boa qualidade, não pode custar mais de 3% da renda total do lar e deve haver uma fonte de água no máximo a 1 km de distância. Esta preocupação faz sentido se for considerado que em 2017, 2,1 bilhões de pessoas não tinham água potável e 4,5 bilhões, careciam de serviços de saneamento (OMS/UNICEF 2017) (Figura 1).

Por ser um recurso fundamental para a vida, a falta de abastecimento de água gera desigualdade social, pobreza e uma forte ameaça aos ecossistemas e à biodiversidade (Figura 2), favorecendo o incremento da violência nas comunidades. É importante considerar que os problemas associados ao acesso à água, não somente tem a ver com a presença real e física no território, mas também está determinada pela capacidade de gestão administrativa do recurso. Este é provavelmente um dos principais desafios na América Latina, o fortalecimento das instituições governamentais encarregadas da administração da água e que lhe permitam à região ser líder na criação de políticas de desenvolvimento sustentável.

Foto: Neil Palmer/CIAT

Diante deste cenário, têm surgido esforços em diferentes escalas administrativas que procuram incorporar nas agendas políticas nacionais e internacionais, o uso racional e a conservação da água. Um dos esforços mais notáveis pela sua transcendência, é a proposta da ONU dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que busca garantir para o ano de 2030 uma vida digna e sustentável para todos os cidadãos do mundo. Chama a atenção que vários destes objetivos estão relacionados com a problemática da água.

Foto: NOAA's National Ocean Service

Os dois primeiros objetivos contemplam a eliminação da pobreza, através da luta contra a fome e a má nutrição, para o qual é necessário contar com água disponível para agricultura, silvicultura (manejo produtivo das florestas) e aquicultura (produção de espécies aquáticas: peixes, moluscos, crustáceos, anfíbios, répteis e plantas) (Figura 3). Por outro lado, as mudanças climáticas podem aumentar períodos de inundações e secas que afetam a produção de alimento. Estes objetivos, têm grande importância considerando que, em 2016, aproximadamente 155 milhões de crianças tiveram retardo de crescimento por causa da alimentação insuficiente e que na América latina, a fome tem mostrado uma tendência de aumento a partir de 2016.

Foto: One Drop

O terceiro objetivo aborda a cobertura da saúde, que evidentemente depende da possibilidade de atingir condições de vida salubres e livres de doenças contagiosas. O quarto objetivo, relacionado com a educação, também depende da disponibilidade da água para o abastecimento das escolas, principalmente nos países em desenvolvimento. O sétimo objetivo está relacionado com o acesso à energia, à educação e à saúde. Deixamos o sexto objetivo para o final, porque está relacionado diretamente com a disponibilidade da água e só a garantia deste, permite cumprir com os objetivos mencionados anteriormente, pois da água depende a saúde, a produção de alimentos, a possibilidade de receber e oferecer educação de qualidade. Atingir estes objetivos é fundamental se for considerado que para 2050, pelo menos 25% da população mundial, habitará em países com problemas crônicos de acesso à água.

Foto: Zaian

Mesmo que a América latina seja uma região de abundância hídrica, onde de fato encontra- se um terço da água doce do mundo, uma grande parte da sua superfície apresenta estresse hídrico, que consiste na dificuldade de conseguir água em um determinado período de tempo e que pode ocasionar o esgotamento total do recurso. Adicionalmente, nesta região, 80% da população é urbana, o que ocasiona uma grande pressão sobre os recursos hídricos, a produção de alimento, e perda de biodiversidade nas zonas de concentração.

Foto: Shobhan Tudu

Este panorama nos obriga a nos perguntar como iremos estabelecer prioridades no uso dos recursos hídricos? A prioridade está na indústria e nas atividades extrativas (fracking, mineração, exploração de hidrocarbonetos)? Ou primeiro devemos procurar satisfazer as necessidades mínimas para toda a população e uma vez liquidada essa dívida histórica com as comunidades menos favorecidas, poderemos nos concentrar no planejamento do “desenvolvimento”? É evidente que como cidadãos devemos participar na discussão e principalmente na geração de soluções. Talvez, tenha chegado o momento de questionar o estilo de vida que levamos e repensar o mundo que queremos para as novas gerações. Por isso, é urgente estabelecer uma relação robusta entre os nossos hábitos de consumo e seu impacto no meio ambiente, especificamente nos recursos hídricos. Cada cidadão deve ser consciente de qual é o gasto de água de seu dia-a-dia, quanta água está por trás da produção do alimento que consome, da roupa que veste e dos produtos que usa.

Por isso a Revista Bioika, na intenção de popularizar o conhecimento e facilitar a participação da sociedade nestas discussões, lança esse tema em sua segunda edição, intitulado “Recursos hídricos”. Ao navegar pelos nossos conteúdos, vocês poderão encontrar especialistas em ecologia de ambientes aquáticos e alguns dos organismos que ali vivem, para descobrir um pouco mais sobre o estado do nosso patrimônio hídrico e ambiental em diferentes partes da América latina. Finalmente, os convidamos a fazer parte desta segunda edição, lendo, discutindo e compartilhando os artigos que temos preparado.


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