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Direção


Ángela L. Gutiérrez C.

Comitê editorial


Ángela L. Gutiérrez C., Anielly Oliveira, Mirtha Angulo, Raffael M. Tófoli, Rosa M. Dias

Alfonso Pineda, Ana Marcela Hernández

Rafaela G. Rauber

Comitê científico


Aleja Vélez Denhez, Alexandrina Pujals, Alfonso Pineda, Amanda Cantarute, Bárbara Angélio Quirino, Carlos E. A. Soares, Carolina Gutiérrez C., Edna L. Amórtegui, Fabrício Oda, Gabriela Doria, Gustavo H. Z. Alves, Luciana Oliveira Dos Santos, Oscar Pelaez, Rafael F. Ferreira, Rafaela V. Granzotti, Sonia Y. Rodríguez C.

Comitê de comunicação


David González

Ana Marcela Hernández, Isabela Machado e Lucas Waricoda

Alejandro Vallejo, Andrés Gaviria, Frederico Favoreto, Oscar Pelaez

Jade Maciel

Um planeta, um invasor invisível e quase oito bilhões de pessoas ameaçadas

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Há cinco meses estávamos lançando o editorial da quarta edição da Revista Bioika, cientes da importância da divulgação dos efeitos que os organismos invasores apresentam sobre a biodiversidade e da necessidade de oferecer um espaço amplo de discussão sobre o assunto. 

Devido a relevância do tema, tivemos excelente resposta dos autores na curta história da revista e vimos a necessidade de planejar um segundo volume de forma que pudéssemos inserir todos os conteúdos que recebemos na primeira etapa de convocação. Assim continuamos, sob a perspectiva das invasões biológicas, a construção da nossa quinta edição.

Virus

No entanto, entre o período que encerramos a quarta edição e iniciamos a escrita deste editorial, o mundo mudou, talvez para sempre. Uma invasão microscópica surpreendeu a humanidade. Um vírus, que originalmente não afetava a nossa espécie, emergiu e se disseminou globalmente, adoecendo e causando a mortalidade de milhares de pessoas.  As consequências dessa doença, ainda são imprevisíveis para a humanidade. 

Sim, sabemos que os vírus não são oficialmente considerados seres vivos, pois são maquinários moleculares incapazes de exercer metabolismo próprio e não são dotados de células, as unidades fundamentais da vida. Contudo, ainda assim, tomamos a liberdade de analisar os impactos do vírus à luz das prerrogativas do processo de invasão biológica, que é usualmente interpretado quando se fala em organismos por definição (seres vivos).

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Como amplamente divulgado, a COVID-19, doença produzida pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, apareceu na cidade de Wuhan (capital da província de Hubei) na China. No final de 2019, e depois de se propagar por todo o país, o contágio se estendeu a outros países da Europa e da Ásia. No dia 11 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a pandemia. No dia 19 de março, o epicentro da doença deixou de ser a China e passou a ser a Itália e, desde o dia 1º de abril, o epicentro passou a ser os Estados Unidos.

Atualmente, o mundo está paralisado. À exceção de poucos países, a maioria encontra-se em quarentena obrigatória. A aparição da COVID-19, colocou em perigo bilhões de pessoas no mundo. Segundo o Centro de Ciência e Engenharia de Sistemas da Universidade Johns Hopkins, nos EUA (1), 187 países estão afetados e contabilizam aproximadamente 3.578.301 pessoas contagiadas, mais de 250.000 mil mortes e 1.162.279 recuperadas em todo o mundo (4 de maio 2020). Esses números são reflexo de somente quatro meses após o anúncio dos primeiros casos na China.

Parece lógico esperar que uma emergência sanitária destas proporções cause maiores prejuízos aos países em desenvolvimento, pois suas limitações econômicas, políticas e logísticas irão afetar negativamente suas capacidades de resposta à pandemia. Dentre elas, maiores dificuldades para minimizar a velocidade de disseminação do vírus e reduzir o número de mortes, que ocorrem por complicações da própria doença e pela ausência de infraestrutura do sistema de saúde.

Um dos fatores que mais contribuem para a rápida dispersão da doença é a existência de pessoas assintomáticas (aproximadamente 85% dos infectados), as quais podem contagiar outros sem sequer saber que são portadores do vírus (2). Nós somos vetores de transporte do vírus e, ao mesmo tempo, que contribuímos ativamente para a ampliação da escala geográfica da invasão viral.

De acordo com o jornal The New York Times (3), na América latina a pandemia foi detectada pela primeira vez no Brasil, no dia 26 de fevereiro, e hoje conta com pouco mais de 260.000 casos (1). Este número é preocupante, pois segundo o mesmo jornal, a América latina é uma das regiões do mundo com menor investimento em saúde pública e carência no sistema de saneamento básico. Além disso, desde 2019 sofre com a pior epidemia de dengue da história que, em fevereiro de 2020, já registrava três milhões de casos, segundo informações da Organização das Nações Unidas (ONU) no início deste ano (4).

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A vida cotidiana mudou, os cidadãos estão confinados em suas casas, as escolas e universidades estão fechadas, assim como a indústria e o comércio de serviços considerados não essenciais estão paralisados. A vida laboral só continua para aqueles que podem trabalhar em suas casas e para aqueles que atuam em serviços essenciais ou para muitos trabalhadores autônomos e informais que sobrevivem da renda diária e não podem permanecer em quarentena. Os maquinários que mobilizam a economia mundial estão parados.  Como consequência, as emissões de gases à atmosfera têm diminuído, de forma relevante. Temos sido testemunhas de como, em muitos lugares, os animais estão transitando por ambientes nos quais não eram vistos há décadas. 

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Assim como as espécies nativas não estão preparadas para lidar com os impactos da chegada repentina de potenciais organismos invasores na natureza, os seres humanos não possuem mecanismos imunológicos de defesa para enfrentar este súbito invasor, o vírus da COVID-19. Eventualmente, no futuro, a espécie humana desenvolverá imunidade a este vírus, mas agora a maior dificuldade consiste na velocidade com que ele está avançando globalmente. A situação que estamos sofrendo na pele, nos ajuda a compreender o que ocorre com milhares de espécies quando seus habitats nativos são invadidos.

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Por isso, este deve ser considerado um momento de reflexão sobre como nossa espécie também é vulnerável. Devemos avaliar de forma crítica a nossa relação com o entorno e a forma como exploramos os recursos naturais. Estamos testemunhando a ineficácia de alguns sistemas diante de situações de calamidade. O que poderia nos proteger de eventuais doenças emergentes ainda mais agressivas? O que asseguraria a proteção da humanidade e dos Direitos Humanos frente à agentes invasores mais letais, capazes de comprometer gravemente o funcionamento de serviços essenciais (transporte, abastecimento alimentício, segurança pública, entre outros)? Neste âmbito, é preciso um olhar mais atento para o fortalecimento de atividades de produção local de alimento, incrementar o investimento em ciência e tecnologia, fomentar os sistemas de saúde pública, ter mais empatia e solidariedade diante dos mais vulneráveis. Está na hora de mudar nosso futuro.

Sejam bem-vindos à quinta edição da Revista Bioika, na qual seguimos falando sobre espécies invasoras e, claro, sobre as últimas notícias relacionadas à COVID-19. 

Referências

  1. Mapa do Centro de Ciência e Engenharia de Sistemas da Universidade Johns Hopkins. https://systems.jhu.edu/
  2. Ruiyun, L., S. Pei, B. Chen, Y. Song, T. Zhang, W. Yang y J. Shaman. 2020. Substantial undocumented infection facilitates the rapid dissemination of novel coronavirus (SARS-CoV2). 16 Mar 2020. DOI: 10.1126/science.abb3221
  3. The New York Times:  https://www.nytimes.com/es/2020/03/19/espanol/opinion/coronavirus-america-latina-gobiernos.html?fbclid=IwAR3xtRWDjHBBNfx70cBo05ZmxPh1U9m-noFm8i2cztCxvXbVYIJpCt_OUME
  4. Notícias ONU: https://news.un.org/es/story/2020/02/1469521

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