Hotspots de biodiversidade: tesouro “preservado”

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Existem regiões do planeta que são mais ricas em biodiversidade do que outras, e apresentam um número excepcional de espécies exclusivas. Algumas dessas áreas estão extremamente ameaçadas, sendo conhecidas como “Hotspots de biodiversidade”.


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Desde os primórdios, a extinção de espécies existe na natureza. Mas devido ao desenvolvimento socioeconômico os impactos antrópicos se intensificaram nas últimas décadas. Com a urbanização diversos impactos se estenderam aos ambientes naturais como a destruição de habitats devido à fragmentação de florestas e rios, além da poluição, introdução de espécies exóticas, dentre outros fatores. Desta forma, a atual taxa de extinção de espécies está muito alta, e cresce a uma velocidade acelerada. Muitas espécies ameaçadas de extinção são endêmicas de determinadas regiões, o que significa que são encontradas exclusivamente em apenas uma região do planeta. E muitas vezes, essa região está profundamente ameaçada. Como não há recursos para investir na proteção de todas as áreas do planeta, os esforços precisam ser direcionados e efetivos ao menos nos locais mais urgentes. Diante desse cenário, surgiu a necessidade de identificar as áreas críticas e prioritárias para a conservação.

Carretera

Em 1988, Norman Myers criou o termo “Hotspots de biodiversidade” (pontos quentes, traduzindo o termo do inglês). Nesse primeiro trabalho publicado na revista The Environmentalist, foram listados 10 hotspots distribuídos principalmente na região tropical. Dois anos mais tarde, o autor publicou outro artigo na mesma revista, acrescentando 8 hotspots a lista, incluindo áreas não tropicais. Em 2000, Myers publicou outro trabalho, dessa vez na revista Nature, em parceria com autores pertencentes a Organização Não Governamental (ONG) americana Conservation International, no qual foram definidas 25 áreas. Em 2005 a ONG incluiu mais nove áreas à lista. E no ano de 2011 houve mais uma atualização, totalizando 35 hotspots.

Os critérios utilizados para classificar essas áreas como hotspots são: o endemismo de espécies e o grau de ameaça. Ou seja, a área precisa ter uma concentração excepcional de espécies endêmicas (pelo menos 1500 plantas) e apresentar alto grau de ameaça (ter perdido 70% ou mais de sua vegetação original). Alguns hotspots já perderam mais de 90% de sua vegetação. Portanto, essas áreas não são escolhidas ao acaso. Representam muito na conservação da biodiversidade global. Os 35 hotspots atuais ocupam apenas 2,3% da superfície da Terra e suportam mais da metade das espécies de plantas endêmicas do mundo e quase 43% das espécies de aves, mamíferos, répteis e anfíbios endêmicos.

Hotspots

São encontrados em vários tipos de habitat, como florestas e ilhas tropicais, zonas do mediterrâneo, zonas húmidas, dentre outros. Em grande parte estão em países em desenvolvimento, onde as ameaças são muito maiores. Podemos destacar alguns hotspots ao redor do mundo como Tumbes-Chocó-Magdalena, localizado entre Panamá, Colômbia, Equador e Peru; a Província Florística da Califórnia, nos EUA; a Floresta de Pinho-Encino de Sierra Madre, no México e EUA; Cáucaso, na Geórgia, Armênia, Azerbaijão e Rússia; a Mata Atlântica no Brasil, Paraguai e Argentina entre outros. A Amazônia não está presente na lista dos hotspots, pois, apesar de ser extraordinariamente rica em biodiversidade, ela não se enquadra no segundo requisito, ou seja, não apresenta (ainda) alto grau de ameaça.

A Mata atlântica, por exemplo, é um bioma brasileiro profundamente afetado pela ocupação humana. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 72% da população do país vive neste bioma, que atualmente equivale a menos de 8% da distribuição original. Estima-se que mais de 950 espécies de aves ocorrem na região, das quais fazem parte espécies únicas, como o mutum de bico vermelho e o pato-mergulhão brasileiro, que estão ameaçadas de extinção. O hotspot das ilhas do Caribe compreende um arquipélago de ilhas tropicais e semi-tropicais e suporta elevada riqueza de espécies endêmicas: cerca de 7800 espécies de plantas e 955 vertebrados. Atualmente possuem apenas 10% da área original. Além disso, essa região se destaca como o centro de diversidade marinha do Atlântico, devido suas extensas áreas de recifes de coral e manguezais, sendo uma área importante para a reprodução de espécies migradoras (como peixes, aves e mamíferos) do Atlântico Norte.

Ave

A classificação dos hotspots recebe muitas críticas, principalmente em relação a padronização dos critérios e dos estudos para determinar essas áreas. Além disso, ainda faltam dados sobre a distribuição das espécies pelo planeta e muitas ainda são desconhecidas pela ciência. Entretanto, a ideia de definir áreas prioritárias é fundamental para reduzir ou desacelerar a alta taxa de extinção que está em curso nas últimas décadas. As atividades dos seres humanos são, em grande parte, as responsáveis por esse risco. Portanto, cabe a nós o dever de reverter ou amenizar essa situação e proteger a biodiversidade que ainda resta no planeta. Considerando o tempo evolutivo, o Homo sapiens (nome científico da espécie humana) chegou a tão pouco tempo no planeta e se mostrou extremamente prejudicial para as demais espécies. Nossas ações daqui para frente podem definir o destino de muitas espécies, inclusive a nossa, que ainda não entendeu que não está sozinha nesse planeta e que depende de todas as outras formas de vida para sua existência.

Para mais informações:


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logo Rosa M. Dias
Editora Econotícias [ES]
Editora Econoticias [PT]

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Rosa

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Bióloga com Doutorado em Ecologia pela Universidade Estadual de Maringá (PEA/UEM). Considero que só através da socialização do conhecimento poderemos alcançar uma sociedade mais justa. Tenho grandes e diversos sonhos! Um deles é acreditar que a educação amplia as almas e recria os horizontes; é a alavanca das mudanças sociais!

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logo Bárbara Angélio Quirino
Assistente Editorial [PT]
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Bióloga e mestranda em ecologia pela Universidade Estadual de Maringá. As pequenas ações individuais são primordiais, mas somente quando estendemos nosso conhecimento para outras pessoas e unimos forças é que, de fato, podemos revolucionar o mundo.

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Asistente Editorial [ES]
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Alfonso

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Sou biólogo colombiano, finalizando doutorado no Brasil. Acredito que qualquer uma das áreas do conhecimento pode contribuir para a melhoria da vida dos demais, e que a educação é uma ferramenta poderosa. Além disso, acredito que o acesso a informação permite às pessoas maior protagonismo social.

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Ángela L. Gutiérrez C.
Editora Ecoando
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Ángela

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De acordo com minha formação na educação pública, acredito na necessidade de fazer acessível para todos, os resultados das pesquisas científicas. O que é feito? Para que serve? Como posso contribuir? Acredito que o trabalho multidisciplinar é a chave para propor soluções que possam gerar uma sociedade justa, sustentável e igualitária.


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