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Mariángeles Arce Hernández

emailictiologa@gmail.com

Bióloga, estuda sistemática e taxonomia de bagres da América, através do seu ADN e evolução, assim como a origem e desenvolvimento do seu esqueleto. Atualmente maneja a coleção de peixes da Académia de Ciências de Filadelfia com mais de 1.5 milhões de registros provenientes do mundo inteiro.

O que se aprende com as informações sobre as relações “familiares” dos peixes?

Conhecer a maneira como os organismos se relacionam na natureza nos permite saber como eles têm se modificado através do tempo. Por sua vez, isso nos ajuda a entender a formação dos diferentes ambientes naturais.



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O estudo destas relações “familiares” também ajuda a compreender a diversidade biológica, permitindo conhecer o número de espécies e o tamanho de suas populações. Assim, podemos conhecer as espécies atuais e elaborar medidas para sua conservação.

O estudo analisou as relações “familiares” entre os peixes-serra (também chamados de armados ou abotoados, entre outros nomes populares), usando a informação do DNA contido em suas células (Figura 1). Esses peixes receberam esse nome devido à sua aparência, com o corpo coberto por couro, sem escamas e com uma fileira de placas laterais, quase sempre com um espinho ou serra que aponta para trás. Estão distribuídos pelos principais rios da América do Sul e se dividem em torno de 93 espécies (Figuras 1).

Platydoras editatus

Nossos resultados mostram que os peixes-serra vêm de um ancestral comum. Este resultado se reflete no seu formato, já que todos os indivíduos compartilham pelo menos três características físicas. Contudo, apesar de possuírem um ancestral em comum, diferem muito em sua coloração, tamanho (podem medir desde milímetros até um metro), tipo de alimentação e reprodução (Figura 2). Quando se estuda sua distribuição, entende-se que toda a gama de formas e comportamentos é uma variação desse peixe ancestral e ocorreu ao longo do tempo. O conhecimento sobre nossos peixes nos permite criar medidas de conservação focando nas espécies menos diversificadas e que apresentam menor quantidade de modificações quando comparadas a espécies mais antigas. Por exemplo, quando se encontram ambientes com maior quantidade de peixes diferentes entre si e com muitas modificações em comparação a peixes mais antigos, podemos inferir que estes ambientes são mais estáveis e menos vulneráveis às mudanças climáticas.

Peizes-serra

Entre os peixes-serra, se encontram alguns grupos menos diversificados, ou seja, que possuem apenas uma espécie e sua distribuição limita-se a um rio. Entretanto, de acordo com os resultados obtidos, estão diretamente aparentados com outros grupos amplamente diversificados e amplamente distribuídos. Conhecer a história desses peixes, saber como se relacionaram através do tempo e como se distribuem pelas regiões, nos permite entender como ocorreu a formação dos rios, e principalmente, entender como funcionam os ambientes naturais e como devem ser cuidados.

Os nossos resultados permitem um maior entendimento sobre a formação da cordilheira dos Andes, através das relações que foram encontradas entre as espécies de peixes. Algumas espécies estão distribuídas a oeste da cordilheira dos Andes, na bacia dos rios Magdalena e Maracaibo, e estão diretamente relacionadas com espécies que estão presentes em todas as bacias da América do Sul (Figura 3). Somando-se à existência de fósseis, pode-se assumir que o peixe ancestral que originou essas espécies já existia antes do levantamento do Andes. Esse processo criou uma barreira física que separou os indivíduos e gerou uma diversificação devido à grande variedade de ambientes que surgiram. Entre as espécies de peixe-serra, algumas habitam a bacia do rio Amazonas, do rio Orinoco e/ ou a bacia do rio Paraná. Algumas espécies do Orinoco e do sistema Paraná-Paraguai estão mais relacionadas entre si, enquanto que outras espécies do Amazonas e Orinoco são mais próximas. Isto indica que esses rios têm ou tiveram comunicações em épocas passadas, o que permitiu a passagem dos peixes de uma região à outra (Figura 4).

Mapa

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O estudo dessas relações “familiares” entre as espécies esclarece sobre como os diferentes tipos de peixes-serra surgiram e como foi sua relação com os ambientes em que habitam, permitindo criar medidas de conservação mais eficientes.



Artigo original disponível em: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S105579031300078X

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Ángela Gutiérrez C

emailangela.gutierrez@revistabioika.org

De acordo com minha formação na educação pública, acredito na necessidade de fazer acessível para todos, os resultados das pesquisas científicas. O que é feito? Para que serve? Como posso contribuir? Acredito que o trabalho multidisciplinar é a chave para propor soluções que possam gerar uma sociedade justa, sustentável e igualitária.

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Alexandrina Pujals

emailale.pujals@revistabioika.org

Bióloga, especialista em Planejamento Ambiental, Gestão dos Recursos Naturais e Mestre em Ciências Ambientais. Acredito que o conhecimento científico tem valor maior quando compartilhado e popularizado. A divulgação torna esse conhecimento acessível ao público, alinhando argumentos e ideias que busquem a conservação do meio ambiente.

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Edna Liliana Amórtegui Rodríguez

emailliliana.amortegui@revistabioika.org

Bióloga da Universidade Nacional da Colômbia. Estou convencida de que o conhecimento deve estar aberto e disponível não só para o público especializado, mas para toda a sociedade. Considerando o impacto que tem a investigação científica em nossas vidas, estou interessada em contribuir na divulgação, especialmente em questões de ecologia.

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Lucas Waricoda

emaillucas_nobuo@revistabioika.org

Músico e jornalista, já fiz um pouco de tudo nessa vida – o suficiente pra saber com quem e pelo que me entregar. Passei por jornais impressos, digitais, revistas, rádios, agências de publicidade e continuo tentando aprender a aliar tudo isso com a rotina maluca de uma banda autoral independente.

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Sonia Yanira Rodríguez Clavijo

emailsonia.yanira@revistabioika.org

Com formação em Microbiologia, tenho trabalhado em biologia molecular e bioinformática. Ultimamente o ensino de zoonoses e epidemiologia, voltado para profissionais do meio ambiente, me permite fazer parte de uma mudança necessária em nossa sociedade e sua relação com o meio ambiente.


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