Oceanos: um mar de plásticos!


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O plástico está longe de ser descartável! É altamente resistente, afeta os organismos e demora séculos para desintegrar na natureza. Se continuarmos com os mesmos hábitos de consumo, em 2050 teremos mais plástico do que peixes no mar. Repensar nossos hábitos de consumo é uma forma de não piorar o processo em curso.

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Rosa Maria Dias

emailrmdias2003@yahoo.com.br

Bióloga com Doutorado em Ecologia pela Universidade Estadual de Maringá (PEA/UEM). Considero que só através da socialização do conhecimento poderemos alcançar uma sociedade mais justa. Tenho grandes e diversos sonhos! Um deles é acreditar que a educação amplia as almas e recria os horizontes; é a alavanca das mudanças sociais!



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Um grupo de pesquisadores ligado ao Centro Nacional para Análise e Síntese Ecológicas da Universidade da Califórnia publicou no começo de 2015 uma estimativa que mostra a quantidade de plástico que foi parar nos oceanos, fruto do lixo produzido e mal gerenciado por quase 200 países costeiros em todo o mundo. Foram cerca de 8 milhões de toneladas só em 2010. Mas o problema atinge proporções gigantescas, todos os anos entre 5 e 13 milhões de toneladas de plásticos vão parar no oceano; para se ter uma ideia, é como se uma carga de caminhão de lixo cheio de plástico fosse despejada no mar por minuto. No ranking dos 20 países que mais contribuíram para este cenário, o Brasil é o único país da América Latina, ocupando o 16º lugar, ganhando dos EUA – que apesar de produzir mais lixo por pessoa, tem um sistema de gerenciamento de resíduos sólidos mais eficaz. Mais recentemente, o mar do Caribe foi considerado o segundo mais contaminado do mundo, perdendo apenas para o Mediterrâneo. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, se continuarmos com os mesmos hábitos de consumo, em 2050 teremos mais plástico do que peixes no mar.

Entanglement Garments

O plástico está longe de ser descartável! É altamente resistente, afeta os organismos e demora séculos para desintegrar na natureza. Devido a ação da luz solar e da água, o plástico é degradado em pequenos ou até minúsculas partículas, formando o microplástico. Os organismos menores, como plânctons e crustáceos se alimentam deste microplástico, se intoxicam, e, consequentemente, acontece o mesmo ao serem consumidos por pequenos peixes. O processo vai se repetindo até chegar aos grandes peixes, como o atum, e, finalmente ao próprio ser humano. Aproximadamente 1.000.000 (um milhão!) de aves marinhas morrem por ano devido às consequências da ingestão, lesões ou sufocamento por plásticos.

Albatroz

Assim, além de causar a morte de diversas espécies marinhas, o plástico pode se espalhar na cadeia alimentar, chegando até nós, seres humanos. Não há ainda estudo sistematizado que demonstre a presença de plástico em alta escala em nosso organismo, mas alguns pesquisadores na Inglaterra e Bélgica acreditam que 90% da população ocidental tem algum nível de plástico, ou produto químico oriundo de sua produção, acumulado no organismo.

Diante de tamanho problema, em fevereiro deste ano o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou a campanha #MaresLimpos, uma iniciativa global para cobrar compromissos e atitudes do poder público e do setor privado para combater a poluição marinha até 2022. A iniciativa, apresentada durante a Cúpula Global dos Oceanos, pede aos governos que elaborem políticas para a preservação dos ecossistemas marítimos e as empresas que reduzam a produção de embalagens plásticas. A campanha ainda incentiva a mudança no descarte de lixo pela sociedade. Até o momento, dez países — Bélgica, Costa Rica, França, Granada, Indonésia, Noruega, Panamá, Santa Lúcia, Serra Leoa e Uruguai — já se uniram à campanha com compromissos ambiciosos para limpar seus mares. A Indonésia, por exemplo, se comprometeu a cortar 70% do lixo marinho até 2025, o Uruguai vai taxar sacolas plásticas descartáveis ainda este ano e a Costa Rica tomará medidas para reduzir o descarte de plásticos por meio de uma melhor gestão dos resíduos e da educação. A organização espera poder anunciar avanços na luta contra o plástico na Conferência dos Oceanos, que será realizada em junho, em Nova York, e durante a Assembleia para o Meio Ambiente, prevista para dezembro, em Nairóbi (capital do Quênia).

Na ciência, iniciativas para solucionar o problema estão surgindo, como a dos pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que descobriram que as lagartas da mariposa (Galleria mellonella), que se alimentam da cera da colmeia de abelhas, também podem degradar resíduos plásticos. Entretanto, detalhes de como funciona esse processo ainda estão sendo pesquisados. Desta forma, ações multisetoriais, envolvendo cidadãos, indústrias e Estado são fundamentais para enfrentar as questões de conservação e uso sustentável dos oceanos. Ideias inovadoras, como desenvolvido por empresa colombiana que transforma lixo plástico em tijolos e demais estruturas de construção, funcionam como alternativas que conciliam o crescimento populacional, nas grandes cidades da América Latina, e ainda auxiliam na redução do descarte do plástico.

Além das ações governamentais, da ciência e das indústrias, atitudes individuais podem começar a fazer a diferença: Utilize menos e sempre recicle, não só o plástico, mas todo tipo de resíduo reciclável que tenha optado por consumir. Pressione as autoridades da sua região e contribua para o desenvolvimento da coleta seletiva. Se informe sobre a política de resíduos sólidos e, principalmente, se conscientize sobre o como e o quanto suas atitudes estão contribuindo, ou não, para a poluição dos nossos oceanos. Repensar nossos hábitos de consumo é uma forma de não piorar o processo em curso.

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Para mais informações:

  1. http://science.sciencemag.org/content/347/6223/768
  2. https://www.researchgate.net/publication/298739767_Microplastic_contamination_in_natural_mussel_beds_from_a_Brazilian_urbanized_coastal_region_Rapid_evaluation_through_bioassessment
  3. https://www.researchgate.net/publication/305725390_Revealing_accumulation_zones_of_plastic_pellets_in_sandy_beaches
  4. http://www.mma.gov.br/gestao-territorial/gerenciamento-costeiro/a-zona-costeira-e-seus-múltiplos-usos/zona-costeira-e-oceanos
  5. http://www.mma.gov.br/index.php/comunicacao/agencia-informma?view=blog&id=2187
  6. https://museudoamanha.org.br/pt-br/palestra-turra
  7. http://www.telegraph.co.uk/news/earth/environment/12108522/More-plastic-than-fish-in-the-oceans-by-2050-report-warns.html
  8. http://www.telegraph.co.uk/science/2017/01/24/seafood-eaters-ingest-11000-tiny-pieces-plastic-every-year-study/
  9. https://nacoesunidas.org/america-latina-e-caribe-precisam-descarbonizar-economia-e-combater-poluicao-para-cumprir-metas-da-onu/
  10. http://www.gazetadopovo.com.br/haus/sustentabilidade/empresa-colombiana-desenvolve-tijolo-partir-de-lixo-plastico/
  11. https://www.saneamentobasico.com.br/residuos-plasticos-lagarta-cientistas/
  12. https://www.saneamentobasico.com.br/onu-lanca-campanha-mundial-para-acabar-com-residuos-de-plastico-nos-oceanos/

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Rosa Maria Dias

emailrosa.dias@revistabioika.org

Bióloga com Doutorado em Ecologia pela Universidade Estadual de Maringá (PEA/UEM). Considero que só através da socialização do conhecimento poderemos alcançar uma sociedade mais justa. Tenho grandes e diversos sonhos! Um deles é acreditar que a educação amplia as almas e recria os horizontes; é a alavanca das mudanças sociais!

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Luciana Oliveira Dos Santos

emailluciana.santos@revistabioika.org

Mestre em Psicologia pela New School for Social Research, psicóloga em constante formação, apaixonada pela Ciência das relações, estou aqui para aprender. Aprender na relação comigo mesma e o meio (natural e por nós constituído); convidando a quem possa interessar a trocar saberes e fazeres.

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Alfonso Pineda

emailalfonso.pineda@revistabioika.org

Sou biólogo colombiano morando no Brasil. Acredito que qualquer uma das áreas do conhecimento pode contribuir para a melhoria da vida dos demais, e que a educação é uma ferramenta poderosa. Além disso, acredito que o acesso a informação permite às pessoas maior protagonismo social.

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Bárbara Angélio Quirino

emailbarbara.quirino@revistabioika.org

Bióloga e mestranda em ecologia pela Universidade Estadual de Maringá. As pequenas ações individuais são primordiais, mas somente quando estendemos nosso conhecimento para outras pessoas e unimos forças é que, de fato, podemos revolucionar o mundo.

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Mirtha Amanda Angulo Valencia

emailmirtha.angulo@revistabioika.org

Bióloga pela Universidade do Cauca (Colômbia). Estudante de Doutorado em Ciencias Ambientais na Universidade Estadual de Maringá (Brasil). Acredito que a socialização dos estudos ecológicos, pode nos ajudar a criar consciência da importância dos nossos recursos naturais e dessa forma garantir seu cuidado e preservação.


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