A importância da educação para o cuidado ambiental em áreas remotas

“O Espaço do Saber”, um projeto de educação ambiental desenvolvido pelos alunos de zona rural, que busca aproveitar as potencialidades individuais para transformar sua relação com o meio ambiente e reafirmar sua identidade.

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    Edivar Mosquera Caicedo

    emailedivarmosqueracaicedo@gmail.com

    Filósofo, especialista em Tecnologias da Informação e Comunicação. Mestrando em Tecnologias Digitais Aplicadas à Educação pela Universidade de Santander (Colômbia). Interessado em inovar para melhorar a qualidade educacional.

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    Cristina Andrea Zuñiga Quilindo

    emailedivarmosqueracaicedo@gmail.com

    Normalista Superior, Bacharel em Educação Básica com Ênfase em Língua Espanhola e Inglesa. Mestre em Educação desde a Diversidade pela Universidade de Manizales (Colômbia). Interessada em inovar para melhorar a qualidade educacional.



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Encontro do Professor Edivar Mosquera e seus alunos para tratar os problemas ambientais na Instituição Educativa “Las Guacas”

O projeto educativo “O Espaço do Saber”, surge da necessidade de contribuir com a sociedade no sentido de valorizar os talentos e habilidades dos alunos. Nesse aspecto, o projeto visa ajudar a formar pessoas íntegras, idôneas, assertivas e capazes de identificar o que realmente os faz felizes e, dessa forma, conseguindo superar suas carências e aprimorar suas habilidades cognitivas, pessoais e sociais. 

O projeto visa ajudar a formar pessoas íntegras, idôneas, assertivas e capazes de identificar o que realmente os faz felizes

Na Colômbia, ao norte do Estado do Cauca, município de Corinto, a Instituição Educativa “Las Guacas”, localizada em uma área rural, apresenta diversos problemas que podem afetar o meio ambiente e a comunidade em geral. Considerando que no projeto educativo “O Espaço do Saber” é fundamental partir dos interesses e habilidades dos alunos para definir e realizar um projeto, a fase inicial teve como objetivo identificar problemas contextualizados e propor possíveis soluções a partir dos seus talentos. Dessa forma, na fase de diagnóstico, os alunos observaram que no distrito “Las Guacas” havia grande quantidade de resíduos e materiais recicláveis, como plásticos, isopor, sacos plásticos, garrafas dentro e fora da instituição, devido ao alto consumo de embalagens, refrigerantes, sucos e comidas rápidas. Da mesma forma, os resíduos sólidos eram queimados com frequência, bem como jogados no rio que corta o caminho as árvores eram cortadas excessivamente, as torneiras da escola ficavam abertas por longas horas e a comunidade em geral jogava lixo no chão. Devido ao uso inadequado de resíduos sólidos, o encanamento interno da instituição permanecia entupido, afetando a saúde e o bem-estar da comunidade.

Lixo queimado no distrito Las Guacas
Reciclando na Instituição Educativa “Las Guacas”

Alternativas de Solução para um planeta melhor

Após a análise do contexto realizada pelos alunos, as soluções propostas por eles mesmos, de acordo com seus talentos para a preservação do meio ambiente, foram organizar e condicionar as áreas verdes da Instituição, plantando e decorando cada espaço da escola. Além disso, foram distribuídos os comitês ambientais, que se encarregaram de organizar a limpeza da instituição durante semanas, observando os alunos que jogavam lixo no chão e impondo sanções pedagógicas ambientais, atribuindo pontos à melhor equipe ambiental de trabalho para ser premiada pela instituição a cada dois meses pelo seu desempenho ambiental e transformação social. Também receberam nota positiva pela contribuição para a conservação do bom tratamento e produção de oxigênio limpo pelas suas ações abnegadas para cuidado do planeta.

Criança catando lixo
Reflorestamento, realizado por alunos

Outra comissão institucionalizou o Dia Sem Água para conscientizar os alunos sobre a vital importância da água para a vida humana e, quando foi encontrada torneira aberta, foi acionado o alerta laranja, para saber quem havia sido o responsável pela ação, e eles procederam correção ambiental.

Nas salas de aula e nos pontos considerados estratégicos pelos alunos, foram instalados postos de coleta de lixo e nos intervalos as lideranças ambientais indicaram à comunidade em geral os locais para depositar os resíduos. Essa estratégia permitiu mitigar as queimadas de resíduos na Instituição, pois foram organizados e selecionados de acordo com as normas de reciclagem. Alguns tiveram novas ideias para fazer artesanato com material reciclável, como catadores de lixo com garrafas plásticas.

Lixeiras ecológicas

Além disso, foi incentivado o uso da bicicleta como meio de transporte, tendo em vista que a maioria dos alunos se desloca de moto e, em muitos casos, abandonam a escola para poder trabalhar e adquirir uma, o que gera deserção escolar. Dessa forma, pretende-se incentivar e gerar mudanças no estilo de vida dos alunos por meio da atividade física, e ao mesmo tempo contribuir para a redução da poluição ambiental e do custo de vida, levando em consideração que o dinheiro destinado para a manutenção da motocicleta e da gasolina pode ser utilizado em pequenos projetos que a escola pode promover e orientar, como a geração e utilização de adubo orgânico e um viveiro para proteção de mananciais com cultivo de árvores.  

Material reciclado

Por fim, foi estipulada uma reunião mensal do comitê ambiental para avaliar a situação da produção de lixo com um índice de peso da quantidade de lixo produzido, para tomar medidas para reduzi-lo.

Por meio do projeto proposto em nível institucional foi possível observar as habilidades e talentos dos alunos de áreas remotas, demonstrando interesse, compromisso com a comunidade e usando a criatividade para propor e realizar cada estratégia, com aportes desde todas as áreas.    

A nível rural, as famílias foram conscientizadas sobre o nível de conservação da terra e de seus solos, buscando assim que suas lavouras sejam realizadas com plena responsabilidade ambiental e rotação de cultivos para que suas terras não percam nutrientes e tenham segurança alimentar e que todas as terras tenham um lugar para a conservação das árvores nativas com base na produção orgânica.

Alunos do comitê de meio ambiente da Instituição Educativa “Las Guacas”

Por fim, a nível nacional, prevê-se um país com regulamentação que incentive projetos arquitetônicos baseados em áreas de conservação e cuidado de mananciais. Que todos os projetos tenham financiamento permanente nas ETEs (Estações de Tratamento de Efluentes) para que as águas cheguem ao rio totalmente limpas. Que as urbanizações tenham locais para que seus associados possam plantar e arborizar permanentemente suas áreas verdes. Que as escolas sejam premiadas e incentivadas a construir seu próprio sistema de reciclagem e que as contribuições nos laboratórios sejam dadas para pesquisas no meio ambiente e entidades governamentais como o Ministério da Educação concedem bolsas de estudo associadas ao tema.  

Professor e alunos da Instituição Educativa “Las Guacas”

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Mirtha Amanda Angulo Valencia

emailmirtha.angulo@revistabioika.org

Bióloga pela Universidade do Cauca (Colômbia). Estudante de Doutorado em Ciencias Ambientais na Universidade Estadual de Maringá (Brasil). Acredito que a socialização dos estudos ecológicos, pode nos ajudar a criar consciência da importância dos nossos recursos naturais e dessa forma garantir seu cuidado e preservação.

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Amanda Cantarute

emailamandacantarute@revistabioika.org

Bióloga e doutoranda em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais pela Universidade Estadual de Maringá. Acredito que por meio da socialização do conhecimento científico podemos formar cada vez mais pessoas empoderadas, justas e conscientes do seu verdadeiro e importante papel no mundo.

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Ángela Gutiérrez C

emailangela.gutierrez@revistabioika.org

De acordo com minha formação na educação pública, acredito na necessidade de fazer acessível para todos, os resultados das pesquisas científicas. O que é feito? Para que serve? Como posso contribuir? Acredito que o trabalho multidisciplinar é a chave para propor soluções que possam gerar uma sociedade justa, sustentável e igualitária.

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Carolina Gutiérrez Cortés

emailcarolinagc@revistabioika.org

Sou microbióloga e trabalho com a geração de novas alternativas para o processamento saudável de alimentos mediante o uso de aditivos naturais. Espero poder compartilhar este conhecimento e aproveitar as experiências de outras pessoas. Por isso, acredito no desafio de comunicar com uma linguagem simples tudo o que é produzido na academia.

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David González

emaildavid.gonzalez@revistabioika.org

Publicitário, fã da linguagem escrita e audiovisual. Acredito que a ciência, a tecnologia, a arte e a comunicação têm o poder de criar bem estar, toda vez que estejam ao serviço da cultura, do cuidado do entorno e das causas mais generosas.

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Isabela Machado

emailisabela.machado@revistabioika.org

Formada em Biologia e Comunicação Social, especialista em Comunicação empresarial. Sou mestranda em Tecnologias Limpas e Sustentabilidade, com experiência científica e profissional em Ecologia Aquática, Educação Ambiental, Sustentabilidade, Jornalismo Ambiental e Assessoria de imprensa.

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Sonia Yanira Rodríguez Clavijo

emailsonia.yanira@revistabioika.org

Com formação em Microbiologia, tenho trabalhado em biologia molecular e bioinformática. Ultimamente o ensino de zoonoses e epidemiologia, voltado para profissionais do meio ambiente, me permite fazer parte de uma mudança necessária em nossa sociedade e sua relação com o meio ambiente.


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