Criadouros artificiais auxiliam na manutenção do mosquito transmissor da malária no Amazonas


Impactos ambientais, como a expansão urbana em direção a floresta Amazônica, têm provocado o aumento de casos de malária na população de Manaus. Neste conteúdo vamos entender melhor qual o principal vetor e como este impacto favorece o aumento de casos desta terrível doença.

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Adriano Nobre Arcos

emailadriano.bionobre@gmail.com

Biólogo, Especialista em Saúde Pública e Vigilância Sanitária, Mestre em Biotecnologia e Recursos Naturais da Amazônia e doutorando em Ecologia e Conservação - UFMS. Atua nas áreas de Entomologia médica, Limnologia e Ecologia, buscando entender como as variáveis ambientais influenciam a comunidade de mosquitos vetores e não vetores de doenças na Amazônia e no Cerrado



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Os mosquitos anofelinos (Anopheles) são popularmente conhecidos como “mosquito-prego” ou “mosquito-sovela”. Na região Amazônica, o principal vetor responsável pela transmissão da malária é o Anopheles darlingi. Os mosquitos precisam da floresta e dos ambientes aquáticos para realizarem seu ciclo de vida. Em um processo chamado de metamorfose completa, semelhante ao das borboletas, passam pelas etapas de ovo, larva, pupa e mosquito adulto.

Mosquito adulto de <em>Anopheles darlingi</em>

As formas imaturas dos anofelinos se desenvolvem em ambientes aquáticos denominados criadouros, que podem ser classificados como naturais ou artificiais. Os criadouros naturais compreendem os rios, riachos, lagoas, braços de rios e igarapés. Os artificiais são ambientes aquáticos modificados pelo homem, como os tanques de piscicultura, piscinas abandonadas, barragens, pneus, valas, poças de olaria, etc. A estrutura e a qualidade desses ambientes são de extrema importância para esta espécie e várias outras que dependem da água para seu desenvolvimento.

Barragem
Poça de olaria
Tanque de piscicultura

As modificações na floresta Amazônica acabam alterando o ciclo de vida de diversas espécies, inclusive dos mosquitos, que são responsáveis por várias doenças de importância médica, tais como a malária, febre amarela, e muitas outras. Na região metropolitana da cidade de Manaus, existem muitos criadouros artificiais amplamente distribuídos, principalmente tanques de piscicultura, poças de olaria e barragens, que acabam incrementando na quantidade de habitats disponíveis para os anofelinos.

Distribuição  dos criadouros artificiais de anofelinos na região metropolitana de Manaus, Amazonas (português)

Além da disponibilidade de criadouros artificiais espalhados pela área urbana e rural de Manaus, a qualidade da água desses ambientes também afeta a permanência e abundância das larvas desses mosquitos. Algumas variáveis indicadoras da qualidade da água como a condutividade elétrica e os nutrientes, são associados positivamente com a presença de três destas espécies nos criadouros, denominados tanques de piscicultura (A. albitarsis, A. peryassui e A. nuneztovari.

Coleta de variáveis limnológicas
Coleta de larvas de anofelinos
Criação e manutenção de larvas em laboratório

Durante o estudo, foi possível identificar uma grande quantidade de larvas de mosquitos nos criadouros com uma boa qualidade da água e presença de plantas aquáticas. As barragens apresentam essas características, com a presença de muitos indivíduos das espécies A. triannulatus e A. darlingi.

Gráfica de abundância larval de anofelinos (português)

Esses novos ambientes contribuem para o aumento dos casos de malária na região, com impacto na saúde da população. Estes ambientes surgem em consequencia do avanço urbano em direção à floresta, e, portanto, a implantação de estratégias de controle dos mosquitos vetores é extremamente importante, especialmente nas áreas rurais e periurbanas das cidades no Amazonas, onde é observada uma alta concentração desses criadouros artificiais.

Artigo original disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0085562618300062?via%3Dihub

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Taise Miranda Lopes

emailtaise.lopes@revistabioika.org

Sou bióloga e doutora em ciências ambientais pela Universidade Estadual de Maringá (Brasil). Acredito que o acesso ao conhecimento, seja através de políticas públicas e divulgação científica, é imprescindível para a construção de uma sociedade mais empática, justa e sustentável.

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Ángela Gutiérrez C

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De acordo com minha formação na educação pública, acredito na necessidade de fazer acessível para todos, os resultados das pesquisas científicas. O que é feito? Para que serve? Como posso contribuir? Acredito que o trabalho multidisciplinar é a chave para propor soluções que possam gerar uma sociedade justa, sustentável e igualitária.

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David González

emaildavid.gonzalez@revistabioika.org

Publicitário, fã da linguagem escrita e audiovisual. Acredito que a ciência, a tecnologia, a arte e a comunicação têm o poder de criar bem estar, toda vez que estejam ao serviço da cultura, do cuidado do entorno e das causas mais generosas.

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Bióloga da Universidade Nacional da Colômbia. Estou convencida de que o conhecimento deve estar aberto e disponível não só para o público especializado, mas para toda a sociedade. Considerando o impacto que tem a investigação científica em nossas vidas, estou interessada em contribuir na divulgação, especialmente em questões de ecologia.

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Isabela Machado

emailisabela.machado@revistabioika.org

Formada em Biologia e Comunicação Social, especialista em Comunicação empresarial. Sou mestranda em Tecnologias Limpas e Sustentabilidade, com experiência científica e profissional em Ecologia Aquática, Educação Ambiental, Sustentabilidade, Jornalismo Ambiental e Assessoria de imprensa.


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