Foto

Foto

Alfonso Pineda

emailamanecce@gmail.com

Os autores pertencem ao grupo de pesquisa em Biodiversidade, Biotecnologia e Conservação de Ecossistemas, associado à Universidad Nacional de Colombia.

Algas microscópicas em esferas de gel como ferramenta de monitoramento ambiental em ambientes aquáticos de água doce

Descubra como as microalgas podem identificar de forma rápida e econômica as condições ambientais das lagoas andinas em Bogotá, Colômbia.



share Compartilhar expand_more

Os ambientes aquáticos oferecem diferentes benefícios para a sociedade como o fornecimento de alimentos, água para consumo e espaços para recreação.

Alfonso Pineda Barbosa

Os ambientes aquáticos de água doce são afetados pelos resíduos produzidos pela atividade agrícola e industrial e também pelas águas residuais das áreas urbanas. Estes resíduos aumentam a concentração de nutrientes, diminuindo a qualidade da água, a diversidade de plantas e animais, beneficiando o crescimento de microalgas com potencial tóxico, conhecidas como cianobactérias. Embora as cianobactérias sejam organismos comuns em ambientes aquáticos, sua proliferação em grande quantidade pode prejudicar a estética dos ambientes, causar a morte de peixes e afetar a saúde humana.

Os ambientes aquáticos oferecem diferentes benefícios para a sociedade, como o fornecimento de alimentos, água para consumo e espaços para recreação. Esses ambientes são sensíveis à contaminação e são necessárias ferramentas para monitorar suas características químicas, físicas e biológicas. Atualmente, medidas baseadas na concentração de fósforo e nitrogênio têm sido usadas para diagnosticar a qualidade dos ambientes aquáticos. No entanto, as medições baseadas nesses elementos não permitem, em alguns casos, determinar o efeito de outros fatores associados ao enriquecimento de nutrientes, como o aumento da turbidez da água ou a dominância de certas espécies.


As algas microscópicas que habitam ecossistemas aquáticos são sensíveis a mudanças na concentração de nutrientes e luz, e podem ser usadas como ferramentas para avaliar esses ambientes. Em nossa pesquisa, analisamos o efeito da quantidade de nutrientes sobre o crescimento de uma espécie de microalga multicelular (4 células) e outra unicelular (uma única célula). Dessa forma, pudemos investigar que tipo de microalga era mais sensível a mudanças na quantidade dos nutrientes.

As algas microscópicas que habitam ecossistemas aquáticos são sensíveis a mudanças na concentração de nutrientes e luz, e podem ser usadas como ferramentas para avaliar esses ambientes.

Alfonso Pineda Barbosa

Cultivamos indivíduos de cada espécie em esferas de gelatina chamada de alginato, com cerca de 3 mm de diâmetro (Figura 1). Colocamos grupos de esferas em três áreas úmidas e um reservatório com diferentes concentrações de nutrientes (baixa - Reservatório de San Rafael, média - pantanal Santa María, alta - pantanal la Conejera, muito alta - pantanal Juan Amarillo), situados em Bogotá, entre 2.600 e 2.700 metros acima do nível do mar. Dentro das esferas, as microalgas têm acesso a luz e aos nutrientes da água para realizar fotossíntese. Colocamos as esferas em bolsas de malha para proteger as algas de possíveis predadores, como insetos, pequenos peixes e crustáceos (Figura 2). Criamos suportes de PVC para organizar os sacos com as esferas em cada um dos ambientes avaliados (Figura 3).






Depois de deixar as esferas com algas durante dez dias em cada ecossistema, observamos que houve aumento da quantidade de indivíduos das duas espécies de algas na área úmida com altas concentrações de nutrientes e que houve diminuição em ambientes com baixa disponibilidade de nutrientes (Figura 5). Observamos também que na lagoa com concentração de nutriente excessivamente elevada, todas as algas morreram (Figura 6) devido à baixa disponibilidade de luz e oxigênio, e elevadas concentrações de amoníaco, sais dissolvidos e material orgânico.




O nosso trabalho mostrou que as algas contidas em esferas de gel, podem ser utilizadas como uma ferramenta para a caracterização e monitoramento da concentração de nutrientes em ecossistemas aquáticos andinos. Desta forma, um pesquisador podería colocar esferas com uma quantidade inicial conhecida de algas em uma lagoa ou reservatorio, e recolher-las dias depois e avaliar o crescimento comparando o número final de algas. Como mostra o nosso trabalho, um corpo d’água com maior concentração de nutrientes teria um número maior de algas do que outro corpo d’água com baixa disponibilidade de nutrientes. Esses resultados foram obtidos de forma prática, rápida e a baixo custo, e servem para criar medidas de manejo e conservação. No entanto, são necessários mais experimentos que incluam ambientes com variação maior na concentração de nutrientes. Também é importante conhecer com maior precisão a relação entre o aumento do número de algas e a concentração de nutrientes em ambientes aquáticos. 

Artigo original disponível em: https://www.limnetica.com/es/does-nutrient-concentration-water-ecosystems-affect-growth-rates-and-maximum-psii-quantum-yield

Foto

Ángela Gutiérrez C

emailangela.gutierrez@revistabioika.org

De acordo com minha formação na educação pública, acredito na necessidade de fazer acessível para todos, os resultados das pesquisas científicas. O que é feito? Para que serve? Como posso contribuir? Acredito que o trabalho multidisciplinar é a chave para propor soluções que possam gerar uma sociedade justa, sustentável e igualitária.

Foto

Rosa Dias

emailrosa.dias@revistabioika.org

Bióloga com Doutorado em Ecologia pela Universidade Estadual de Maringá (PEA/UEM). Considero que só através da socialização do conhecimento poderemos alcançar uma sociedade mais justa. Tenho grandes e diversos sonhos! Um deles é acreditar que a educação amplia as almas e recria os horizontes; é a alavanca das mudanças sociais!

Foto

David González

emaildavid.gonzalez@revistabioika.org

Publicitário, fã da linguagem escrita e audiovisual. Acredito que a ciência, a tecnologia, a arte e a comunicação têm o poder de criar bem estar, toda vez que estejam ao serviço da cultura, do cuidado do entorno e das causas mais generosas.

Foto

Edna L. Amórtegui Rodríguez

emailliliana.amortegui@revistabioika.org

Bióloga da Universidade Nacional da Colômbia. Estou convencida de que o conhecimento deve estar aberto e disponível não só para o público especializado, mas para toda a sociedade. Considerando o impacto que tem a investigação científica em nossas vidas, estou interessada em contribuir na divulgação, especialmente em questões de ecologia.

Foto

Lucas Waricoda

emaillucas_nobuo@revistabioika.org

Músico e jornalista, já fiz um pouco de tudo nessa vida – o suficiente pra saber com quem e pelo que me entregar. Passei por jornais impressos, digitais, revistas, rádios, agências de publicidade e continuo tentando aprender a aliar tudo isso com a rotina maluca de uma banda autoral independente.

Foto

Sonia Yanira Rodríguez Clavijo

emailsonia.yanira@revistabioika.org

Com formação em Microbiologia, tenho trabalhado em biologia molecular e bioinformática. Ultimamente o ensino de zoonoses e epidemiologia, voltado para profissionais do meio ambiente, me permite fazer parte de uma mudança necessária em nossa sociedade e sua relação com o meio ambiente.


Você tem algo a dizer? Comente!

As opiniões registradas aqui pertencem aos internautas e podem não refletir a opinião da Revista Bioika. Este é um espaço aberto para a manifestação da opinião dos leitores, porém nos reservamos ao direito de remover os comentários que sejam considerados inadequados. Obrigado pela sua participação!


event_available Lançamentos

loyaltyInscreva-se


notifications_none Recentes


folder_special Favoritos


Origem da Revista Bioika