Você descarta as cascas de cenoura? Descubra como elas podem contribuir na produção de um poderoso alimento


Subprodutos alimentícios, como cascas e sementes, podem conter compostos bioativos que ajudam na prevenção de doenças crônicas na população. Devido à dificuldade de conscientizar a população na utilização destes subprodutos, a indústria alimentícia tem reaproveitado estes rejeitos, na forma de produtos industrializados nutracêuticos e funcionais.

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    Ana Beatriz Zanqui Sutil

    emailbiazanqui@gmail.com

    Graduada em licenciatura em Química, Mestre em Química e doutora em Ciências pela Universidade Estadual de Maringá. Atualmente cursa pós-doutorado em Agronomia junto ao Laboratório de Tecnologia Supercrítica (LTSEF) na mesma Universidade. Atua na área de lipídios em alimentos, tecnologia supercrítica, ácidos graxos, fitosteróis, cromatografia gasosa e desenvolvimento de produtos.

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    Thiago Vinícius Barros

    emailthiago1390@gmail.com

    Graduado em Engenharia Química na Universidade Federal do Maranhão. Mestre em Engenharia Química pela Universidade Estadual de Maringá e doutorando na mesma Universidade. Atualmente trabalha junto ao Laboratório de Tecnologia Supercrítica (LTSEF). Tem experiência com reações químicas em água sub e supercrítica, análise termodinâmica de processos químicos e equilíbrio de fases.

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    Camila Da Silva

    emailcamiladasilva.eq@gmail.com

    Graduada em Engenharia Química pela Universidade Comunitária Regional de Chapecó. Mestre em Engenharia de Alimentos pela Universidade Integrada do Alto Uruguai e das Missões e Doutorada em Engenharia Química pela Universidade Estadual de Maringá. É Professora na Universidade Estadual de Maringá no Departamento de Tecnologia e Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química. Atua na área de processos em meio pressurizado, processos assistidos por ultrassom, biodiesel e extração de compostos de fontes naturais.

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    Carlos Eduardo Barão

    emailcarlos.barao@ifpr.edu.br

    Graduado em Engenharia de Alimentos, mestre e doutor em Engenharia Química pela Universidade Estadual de Maringá. É professor no Instituto Federal do Paraná - Campus Paranavaí e professor Colaborador do Programa de Pós-Graduação em Agronomia na Universidade Estadual de Maringá. Atua no desenvolvimento e melhoria de processos e produtos em agroindústrias, processos de extração utilizando tecnologia verde com foco em fluidos supercríticos e pressurizados.

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    Lúcio Cardozo-filho

    emaillucio.cardozo@gmail.com

    Graduado em Engenharia Química pela Universidade Federal de São Carlos, mestrado em Engenharia Química pela Universidade Estadual de Campinas e doutorado em Engenharia de Alimentos pela Universidade Estadual de Campinas. Professor Titular no Departamento de Engenharia Química, Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química e Agronomia da Universidade Estadual de Maringá. Tem experiência em em Tecnologia de Fluidos Pressurizados, atuando principalmente nos seguintes temas: extração supercrítica, equilíbrio de fases, água supercrítica, análise termodinâmica, desenvolvimento de produtos, processos e equipamentos.



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Diversidade de vegetais empilhados em um mercado de rua. O preparo destes alimentos gera uma grande quantidade de subprodutos alimentícios (sementes e cascas) que podem ser reaproveitados na alimentação.

Não há dúvidas de que o descarte de cascas e subprodutos alimentícios é gigantesco. Muitas indústrias, restaurantes e até mesmo a população em geral não costumam consumir as cascas e sementes de vegetais. É um hábito cultural não utilizar essas partes de frutas e legumes. Contudo, muitos estudos científicos já mostraram que as cascas de vegetais são, muitas vezes, mais nutritivas do que o próprio vegetal. Compostos nutracêuticos estão presentes em várias partes de alimentos descartados. Mas, como convencer uma população a consumir esse “lixo” alimentar? Talvez seja mais oportuno que a indústria alimentícia faça o reaproveitamento desses rejeitos, na forma de produtos industrializados.

Com o objetivo de melhorar o aproveitamento de subprodutos alimentícios, pesquisadores do mundo todo desenvolvem técnicas para utilizar esses resíduos na produção de outros alimentos e, dessa forma, aproveitar suas excelentes características nutricionais. Já é possível incorporar essas cascas na produção de pães, bolos, biscoitos e em diversos outros alimentos. 

Recentemente, um estudo foi publicado em uma revista internacional, mostrando como as cascas de cenouras podem ser utilizadas na indústria de óleos vegetais. O objetivo desse estudo foi produzir óleo misto com extrato de cascas de cenouras, gerando um novo produto pela combinação de excelentes fontes nutricionais, se tornando uma fonte de óleo nutracêutico.

Comparação de óleos vegetais

Os pesquisadores desenvolveram um produto misto feito de óleo vegetal e extrato de cascas de cenouras utilizando a técnica de extração com fluido pressurizado (EFP). Achou o nome difícil? Não se preocupe, pois essa técnica nada mais é do que a utilização de pressão em um equipamento muito seguro, que lembra uma panela de pressão adaptada. Além disso, é uma tecnologia limpa devido à utilização de solventes que não são tóxicos, como ocorre costumeiramente nas técnicas tradicionais. Nessa pesquisa, o solvente escolhido foi o propano (C3H8), por não ser tóxico e muito mais solúvel do que o dióxido de carbono (CO2), que também costuma ser utilizado como solvente nessa técnica. As cascas de cenouras e os grãos das oleaginosas são inseridos nesse equipamento que tem pressão e temperatura programadas. Ao permitir que o solvente entre em contato com a mistura vegetal, ele solubiliza o óleo dos grãos que, por sua vez, atua como cossolvente, passando pelas cascas de cenouras extraindo seus compostos saudáveis. Nesse estudo foram utilizados grãos de chia e gergelim, mas o processo pode ser aplicado a diversos grãos como: soja, milho, canola, girassol e linhaça.

Esta técnica proporciona a extração de compostos bioativos das cascas, como β-caroteno, tocoferóis e fitosteróis, além dos excelentes ácidos graxos presentes nos óleos. Além das alterações químicas do óleo, também ocorre uma mudança visual em sua cor, devido à presença dos carotenoides das cenouras. Como resultado, é produzido um óleo nutritivo, rico em compostos naturais provenientes das cascas de cenouras, que pode ser consumido pela população. A presença dos compostos bioativos no óleo atua na prevenção de diversas doenças crônicas, como diabetes, colesterol, doenças coronarianas e, até mesmo, alguns tipos de câncer.

Infográfico de oleos vegetais com cascas (português)

Com o objetivo de comparar as técnicas, os pesquisadores também aplicaram a extração convencional de óleo comumente utilizada em indústrias, utilizando hexano (um solvente orgânico, mas altamente tóxico), mostrando que o novo método (EFP) é tão eficaz quanto o tradicional, mas com um diferencial, a isenção de produção de resíduos tóxicos. Além disso, o estudo também demonstrou que o óleo nutracêutico suporta altas temperaturas por um tempo de exposição prolongado, quando comparado com os óleos produzidos com grãos puros, indicando assim que este novo produto apresenta maior tempo de prateleira.

A partir desse estudo, abre-se um leque de possibilidades para o aproveitamento de subprodutos vegetais (cascas e sementes) nas indústrias de óleos vegetais. Além do aproveitamento, podem ser produzidos óleos com maior estabilidade térmica e com potencial nutracêutico. Um interessante avanço para o mercado de produtos funcionais.


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Taise Miranda Lopes

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Sou bióloga e doutora em ciências ambientais pela Universidade Estadual de Maringá (Brasil). Acredito que o acesso ao conhecimento, seja através de políticas públicas e divulgação científica, é imprescindível para a construção de uma sociedade mais empática, justa e sustentável.

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Alexandrina Pujals

emailale.pujals@revistabioika.org

Bióloga, especialista em Planejamento Ambiental, Gestão dos Recursos Naturais e Mestre em Ciências Ambientais. Acredito que o conhecimento científico tem valor maior quando compartilhado e popularizado. A divulgação torna esse conhecimento acessível ao público, alinhando argumentos e ideias que busquem a conservação do meio ambiente.

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Amanda Cantarute

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Bióloga e doutoranda em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais pela Universidade Estadual de Maringá. Acredito que por meio da socialização do conhecimento científico podemos formar cada vez mais pessoas empoderadas, justas e conscientes do seu verdadeiro e importante papel no mundo.

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O Design Gráfico me aproximou à natureza e permitiu me deixar tocar por ela. Desde que a imponência e beleza dos Farallones de Cali me apaixonaram, até o rio Pance, comunicar tudo o que sinto e percebo sobre a biodiversidade e as conexões que temos com a mãe terra, tem se convertido em um propósito.

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Edna Liliana Amórtegui Rodríguez

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Bióloga da Universidade Nacional da Colômbia. Estou convencida de que o conhecimento deve estar aberto e disponível não só para o público especializado, mas para toda a sociedade. Considerando o impacto que tem a investigação científica em nossas vidas, estou interessada em contribuir na divulgação, especialmente em questões de ecologia.

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Isabela Machado

emailisabela.machado@revistabioika.org

Formada em Biologia e Comunicação Social, especialista em Comunicação empresarial. Sou mestranda em Tecnologias Limpas e Sustentabilidade, com experiência científica e profissional em Ecologia Aquática, Educação Ambiental, Sustentabilidade, Jornalismo Ambiental e Assessoria de imprensa.



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