A estrutura do Ictioplâncton durante diferentes fases de enchimento no Reservatório Yacyretá (Argentina)

Este interessante trabalho do rio Paraná na Argentina, descreve como a intervenção do fluxo natural dos rios, pode afetar os peixes que habitam lá.




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 / Imagem: Giphy.com

A Central Hidroelétrica Yacyretá (Figura 1) é um empreendimento binacional sobre o rio Paraná, entre Argentina e Paraguai, cuja represa está localizada no eixo das cidades de Ituzaingó (Argentina) e Ayolas (Paraguai). Desde que a represa foi fechada, em 1993, o trecho acima da barragem sofreu modificações em suas condições naturais durante as sucessivas etapas de enchimento do reservatório até a cota definitiva. Com estas modificações, muitos organismos aquáticos que habitam ali, experimentaram mudanças em sua composição e abundância, especialmente os peixes. Um dos impactos ocorre no habitat onde se reproduzem, o qual foi estudado através do monitoramento dos ovos e larvas desses organismos, conhecidos como ictioplâncton. Este estudo comparou as variações do ictioplâncton na parte superior da barragem durante as últimas etapas de preenchimento do reservatório.

O aumento do nível de inundação modificou as características da água dos canais secundários. Como resultado, no córrego Yabebiry foram gerados novos locais para o desenvolvimento dos estágios iniciais dos peixes, foram identificados 35 espécies, entre larvas e juvenis, enquanto que nas estações do reservatório foram identificados 17 espécies de larvas em diferentes estados de desenvolvimento. Com respeito ao uso do hábitat para desova, os canais secundários são locais muito importantes em que foram registradas as maiores densidades de ovos, comparado ao reservatório.

Nas últimas etapas de enchimento do reservatório foi registrada diminuição do número de larvas nos primeiros estádios de desenvolvimento tanto no córrego como no reservatório, predominando os estádios mais avançados, o que significaria que a postura dos ovos está sendo realizada em outro lugar, que não esteja afetado pelo reservatório, como lugares próximos à nascente de córregos ou partes do rio mais afastadas.

Geralmente, as áreas de reprodução dos peixes se encontram acima das zonas de cria e alimentação, a partir da qual, as modificações naturais e as produzidas pelo ser humano no canal que afetem o processo reprodutivo dos peixes, podem ser observadas nas variações de abundância nos ovos e larvas, como no caso deste estudo.

A presença frequente e abundante de larvas de “corvinas de rio”, “sardinha de rio” ou “virolitos”, evidenciam a adaptação exitosa aos novos ambientes modificados. Adicionalmente, os resultados deste trabalho proporcionam informação sobre o manejo das áreas úmidas que foram criadas com a construção de uma hidroelétrica e como se comportam através do tempo e do espaço.


Artigo original disponível em: http://www.fceqyn.unam.edu.ar/recyt/index.php/recyt/article/view/262

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