Foto

Foto

Ranulfo Combuca Da Silva Junior

emailrcsjunior@uem.br

Possui graduação e mestrado em Química pela Universidade Estadual Paulista UNESP. Atualmente é Químico na Universidade Estadual de Maringá/UEM - Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura (Nupélia) e doutorando do Programa de Pós Graduação em Química/UEM. Tem experiência na área de Química Analítica e Físico-Química com ênfase em Limnologia e Terapia Fotodinâmica, atuando principalmente no desenvolvimento de fármacos e seus formulados visando a inativação fotodinâmica de micro-organismos.

Géis e hidrogéis fotoativos contribuem para minimizar a geração de resíduos na produção leiteira

À procura da sustentabilidade na produção de carne, uma solução com menor impacto ambiental para o tratamento da mastite em vacas e cabras no sul do Brasil.



share Compartilhar expand_more

Processo de ordenha de bovinos de corte

Tratamentos alternativos em sistemas de produção animal, além de boas práticas de higiene e limpeza, podem contribuir para redução do uso de antibióticos e antiparasitários que causam danos à saúde humana e contaminação ambiental. Pesquisas estão sendo direcionadas para o desenvolvimento de géis e hidrogéis fotoativos à base de Safranina-O, Extrato de Clorofilas (extraída de espinafre) e Curcumina (extraída de açafrão) visando prevenção e tratamento de mastite em vacas  e cabras leiteiras.

 A mastite é a inflamação na glândula mamária de animais lactantes provocada principalmente pela ação de microrganismos classificados como patogênicos. Esta doença inflamatória e infecciosa demanda um expressivo monitoramento, visto que esta enfermidade causa diminuição na produção, queda na qualidade do leite (alterações na composição físico química), encarecimento da produção (gastos com medicamentos e tratamento) e a necessidade de reposição dos animais (descarte prematuro de vacas).

Quadros de mastite são diagnosticados por mudanças nas características físicas do leite (presença de pus e grumos) e sua constituição é alterada pela diminuição do valor percentual de lactose, sólidos totais, gordura e caseína.

Para prevenção da incidência de mastite, os sistemas de produção utilizam inúmeros produtos que são aplicados na desinfecção dos tetos (região do úbere do animal) variando entre eles, preço, composição ou hábito de uso. Destaca-se produtos à base de iodo, clorexidina e hipoclorito de sódio. Para tratamento de mastite é comum aplicação de antibióticos que geram resíduos no leite e no ambiente. 

Neste contexto, corantes naturais fotossensibilizadores (ativados com luz específica) aplicados na inativação de microorganismos foram utilizados para diminuir o uso de antibióticos na produção leiteira. Géis e hidrogéis termorresponsivos constituídos por matrizes poliméricas biocompatíveis vem sendo desenvolvidos e compostos naturais podem ser inseridos nesse tipo de formulação para tratamento de mastite, visto que se comportam como um líquido viscoso à 25 °C e formam géis termorresponsivos à 37 °C. 

Vaca em Fazenda Experimental de Iguatemi
Linha de ordenha dos setores de bovinocultura e caprinocultura leiteira da FEI/UEM

Os géis e hidrogéis fotoativos contendo os compostos naturais são processados de maneira específica para aplicação tópica no teto de animais, garantindo a prevenção ou tratamento de quadros de mastite subclínica e/ou clínica. O hidrogel mantêm-se líquido à baixas temperaturas e geleifica na temperatura corporal do animal, o que garante uma maior permeação e liberação do princípio ativo no local de aplicação. Para que o hidrogel contendo os compostos naturais tenha ação bactericida, é necessário a iluminação específica com luz de comprimento de onda adequado para cada composto fotossensível. A iluminação com fontes de LED tem sido empregada por apresentar baixo custo e maior disponibilidade no mercado.

Estes formulados inertes e biocompatíveis podem substituir os tratamentos usuais tendo a mesma eficiência no rompimento da membrana de bactérias e com a vantagem de não causar problemas de resíduos no leite produzido, danos ao ordenhador ou resíduos ao meio ambiente.

Protocolo de tratamento de mastite, Maringá, Brasil

Experimentos têm sido conduzidos na Fazenda Experimental de Iguatemi (FEI), do Departamento de Zootecnia, pertencente a Universidade Estadual de Maringá/UEM.

A novidade deste tipo de aplicação consiste nos estudos in vitro e in vivo da Inativação Fotodinâmica de Microorganismos (IFDMO), modalidade terapêutica em que a presença de um composto fotossensibilzador, luz de comprimento de onda específico e oxigênio molecular geram espécies citotóxicas que tem ação bactericida e bacteriostática. Esta técnica vem sendo aplicada utilizando Safranina-O, Curcumina e Extrato de Clorofilas com a finalidade de prevenção e tratamento de mastite em vacas e cabras leiteiras. 

Esta proposta visa beneficiar os produtores de leite, garantindo a saúde do animal e minimizando resíduos na produção leiteira, partindo da utilização de compostos extraídos de vegetais que não geram riscos de contaminação.

Os géis e hidrogéis inativaram in vitro os prinicpais microorganismos causadores de mastite (Staphylococcus aureus, Escherichia coli, Streptococcus agalactiae e Corynebacterium bovis) e contribuíram in vivo para diminuição da contagem de células somáticas (presença de leucócitos e macrófagos que são indícios de quadros de mastite subclínica) em animais lactantes. As formulações contribuíram também para manutenção da qualidade do leite produzido, visto que suas propriedades físico-químicas não foram alteradas após as aplicações dos géis e hidrogéis. Esta proposta visa beneficiar os produtores de leite, garantindo a saúde do animal e minimizando resíduos na produção leiteira, partindo da utilização de compostos extraídos de vegetais que não geram riscos de contaminação.

Com relação ao campo de aplicação, os géis e hidrogéis podem ser empregados na medicina veterinária e na área de produção leiteira, atuando na prevenção e tratamento de mastite subclínica e/ou clínica, reduzindo a utilização de antibióticos convencionais, o que contribui para redução do impacto ambiental da produção de leite e evita a contaminação do solo, ar e mananciais de água. Além disso, o material é caracterizado por ser de baixo custo, podendo ser utilizado facilmente em escala industrial. 

Artigo original disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0143720818324471?casa_token=Nw0OSZQj6hQAAAAA:AgXBe4UEXkD2w6vQwu2IwqGmv5j2wwP7V8BGv-0osBsHrJ7eSaxrwi98CTQXdrD2s9Mqud5c#!

Foto

Ángela Gutiérrez C

emailangela.gutierrez@revistabioika.org

De acordo com minha formação na educação pública, acredito na necessidade de fazer acessível para todos, os resultados das pesquisas científicas. O que é feito? Para que serve? Como posso contribuir? Acredito que o trabalho multidisciplinar é a chave para propor soluções que possam gerar uma sociedade justa, sustentável e igualitária.

Foto

Alexandrina Pujals

emailale.pujals@revistabioika.org

Bióloga, especialista em Planejamento Ambiental, Gestão dos Recursos Naturais e Mestre em Ciências Ambientais. Acredito que o conhecimento científico tem valor maior quando compartilhado e popularizado. A divulgação torna esse conhecimento acessível ao público, alinhando argumentos e ideias que busquem a conservação do meio ambiente.

Foto

Ana Marcela Hernández Calderón

emailana.hernandez@revistabioika.org

Comunicadora social e jornalista da Universidad de la Sabana com 19 anos de experiência na área editorial. Estou convencida de que compreender a nossa mãe Terra e descobrir todas as suas mecânicas de vida, pode nos dar pistas e motivação para cuidar dela. É por isso que é indispensável que todos nós possamos acessar essa informação.

Foto

David González

emaildavid.gonzalez@revistabioika.org

Publicitário, fã da linguagem escrita e audiovisual. Acredito que a ciência, a tecnologia, a arte e a comunicação têm o poder de criar bem estar, toda vez que estejam ao serviço da cultura, do cuidado do entorno e das causas mais generosas.

Foto

Isabela Machado

emailisabela.machado@revistabioika.org

Formada em Biologia e Comunicação Social, especilista em Comunicação empresarial. Sou mestranda em Tecnologias Limpas e Sustentabilidade, com experiência científica e profissional em Ecologia Aquática, Educação Ambiental, Sustentabilidade, Jornalismo Ambiental e Assessoria de imprensa.

Foto

Sonia Yanira Rodríguez Clavijo

emailsonia.yanira@revistabioika.org

Com formação em Microbiologia, tenho trabalhado em biologia molecular e bioinformática. Ultimamente o ensino de zoonoses e epidemiologia, voltado para profissionais do meio ambiente, me permite fazer parte de uma mudança necessária em nossa sociedade e sua relação com o meio ambiente.


Você tem algo a dizer? Comente!

As opiniões registradas aqui pertencem aos internautas e podem não refletir a opinião da Revista Bioika. Este é um espaço aberto para a manifestação da opinião dos leitores, porém nos reservamos ao direito de remover os comentários que sejam considerados inadequados. Obrigado pela sua participação!


event_available Lançamentos

loyaltyInscreva-se


notifications_none Recentes


folder_special Favoritos


Origem da Revista Bioika