Povos do Xingu: Um Exemplo de Defesa Ambiental

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Rio Xingu: pertencente ao ecossistema Amazônico está enfrentando grandes ameaças de empresas hidrelétrica e mineradora. Porém, indígenas, ribeirinhos e pesquisadores lutam pela manutenção da vida deste rio e das populações que dependem dele para a sobrevivência.


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Os povos do baixo Xingu estão dando um exemplo de luta pela preservação do nosso legado socioambiental. Recentemente depois de exaustivas denúncias, conseguiram suspender licença de instalação de mais um grande empreendimento que pode comprometer de forma irreversível a vida no rio Xingu. Para tanto, uniram-se aos ribeirinhos, garimpeiros artesanais, grupos de pesquisadores da UFPA e da SBPC, além de órgãos públicos, como a Funai, a DPE (Defensoria Pública do Estado do Pará), o MPF (Ministério Público Federal), o TRF1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Regional).

Río Xingú

Uma mineradora canadense (Belo Sun) quer simplesmente construir a maior mina de extração de ouro a céu aberto do Brasil, com pretensão de extrair cerca de 600 toneladas de ouro em 12 anos. Concluído o projeto, deixará como lembrança de sua estadia no país uma ferida aberta imensa na região Amazônica, entre as cidades de Altamira e José Porfírio, no estado do Pará. Tal ferida ficará acompanhada de pilhas de rejeitos contendo material estéril e possivelmente também contaminado, que tomarão aproximados 350 hectares do coração da Amazônia, espaço correspondente a 60% do território do Distrito Federal. Rejeitos estes sem previsão para remoção.

A mina prevê construção à 10 km de outro empreendimento que tem causado impactos devassadores à região – a hidrelétrica Belo Monte. A usina teve igualmente licença suspensa, aqui uma licença de operação, por negligenciar a construção do sistema de esgoto completo da cidade de Altamira, vizinha à barragem. Tal barragem tem gerado medo entre agrupamentos indígenas, ribeirinhos e garimpeiros artesanais por ser uma completa incógnita quanto a possibilidade de vida na região. Desde que a barragem foi finalizada, a vazão do rio Xingu caiu entre 80 e 90%, obrigando a divisão de comunidades indígenas tradicionais no leito do Xingu e mudando bruscamente o estilo de vida de todos na região.

Enquanto boa parte da população, muitos deles pertencentes a grupos indígenas, viviam da pesca, agora dependem de alimentos industrializados que compram na cidade. Isso aumentou o número de quadros de hipertensão, diabetes, cálculos renais, e até mesmo obesidade entre eles. A seca na região também ocasionou aumento na reprodução de mosquitos, que infestaram comunidades inteiras. A violência, prostituição e alcoolismo passaram igualmente a fazer parte desse cenário. Outra reclamação feita pelos moradores de comunidades próximas ao empreendimento é a falta de água potável e a irritação de pele ao contato com a água consumida, a morte de peixes e desaparecimento de espécies características daquela área. Isso sem contar o medo constante de rompimento da barragem.

Sim, as suspensões são temporárias. A Belo Sun precisa responder pela aquisição irregular de terras públicas, bem como traçar novo plano de pesquisa que contemple os direitos indígenas – visto que pretende se instalar a 10km de 3 importantes terras indígenas. A Belo Monte precisa terminar as instalações das ligações de esgoto e saneamento básico para cerca de 150 mil pessoas, residentes de Altamira, a fim de evitar que um sério problema de saúde pública se instale na cidade.

Indigena

Pesquisadores, ribeirinhos e comunidades indígenas continuam lutando, afinal, conhecem a importância que a Amazônia representa para todos nós. Luis de Camões, promotor federal do Pará, nos convida à ação e nos lembra de que a Amazônia é, um ecossistema que regula a dinâmica hídrica das Américas e, sobretudo essencial para regular o clima do planeta. Nas palavras de Bel Juruna, uma das lideranças indígenas da Volta Grande do Xingu: “todos precisam da Amazônia e quem preserva a floresta somos nós. Se um dia tirarem essas terras indígenas o mundo vai se acabar de quentura.”

Para mais informações:


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Bióloga com Doutorado em Ecologia pela Universidade Estadual de Maringá (PEA/UEM). Considero que só através da socialização do conhecimento poderemos alcançar uma sociedade mais justa. Tenho grandes e diversos sonhos! Um deles é acreditar que a educação amplia as almas e recria os horizontes; é a alavanca das mudanças sociais!

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Psicóloga em constante formação, apaixonada pela Ciência das relações, estou aqui para aprender. Aprender na relação comigo mesma e o meio (natural e por nós constituído); convidando a quem possa interessar a trocar saberes e fazeres.

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Sou biólogo colombiano, finalizando doutorado no Brasil. Acredito que qualquer uma das áreas do conhecimento pode contribuir para a melhoria da vida dos demais, e que a educação é uma ferramenta poderosa. Além disso, acredito que o acesso a informação permite às pessoas maior protagonismo social.

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Carolina Gutiérrez C.
Asistente Editorial [ES]
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Sou microbióloga e trabalho com a geração de novas alternativas para o processamento saudável de alimentos mediante o uso de aditivos naturais. Espero poder compartilhar este conhecimento e aproveitar as experiências de outras pessoas. Por isso, acredito no desafio de comunicar com uma linguagem simples tudo o que é produzido na academia.


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