Apesar do baixo investimento, universidades de América Latina resolvem problemas associados à COVID-19

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Embora com baixo investimento do governo, universidades de América Latina desenvolvem equipamentos necessários para combater a crise da COVID-19, como respiradores e testes rápidos para detectar a doença.



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O principal papel da ciência e da tecnologia é resolver problemas na sociedade. Os avanços científicos permitiram aumento na produção de alimentos através do controle de pragas, estudos em biotecnologia e outras tecnologias, além de prolongarem e melhorarem nossa qualidade de vida por meio da cura e tratamento de diferentes doenças. Da mesma forma, os desenvolvimentos tecnológicos tornaram a comunicação mais eficiente e barata. 

Considerando que a pesquisa científica e tecnológica é tão importante para resolver problemas relacionados à sociedade e que a responsabilidade dos governos é cuidar dos cidadãos, seria esperado que uma quantia significativa dos recursos tributários pagos por todos os cidadãos fosse investida em pesquisas.

No entanto, o investimento em educação, ciência e tecnologia em vários países da América Latina é baixo, comparado ao dos países desenvolvidos. Segundo dados do Banco Mundial, o investimento médio em ciência e tecnologia na América Latina é de 0,29% do Produto Interno BrutoPIB (o menor na Guatemala - 0,03% e o mais alto no Brasil - 1,26%), enquanto o valor médio na região europeia é de 1,27% do PIB (o menor no Quirguistão - 0,11% e o mais alto na Suíça - 3,37%). O mais preocupante é que, embora o investimento tenha aumentado na Europa nos últimos anos, vários países da América Latina reduziram o investimento no ensino superior e na pesquisa.

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Apesar do baixo investimento em muitos países da América Latina, centros públicos de pesquisa e universidades (que em muitos casos lideram processos científicos e tecnológicos) demonstraram sua alta capacidade de produção científica e liderança diante dos problemas atuais. Nesse sentido, diante das emergências causadas pela COVID-19, as universidades latino-americanas se mostraram eficazes na criação de soluções para os problemas imediatos associados à atual crise.

Na Colômbia, por exemplo, cinco universidades (Universidade de Antioquia, Universidade da Sabana, Universidade do Norte, Universidade Simón Bolívar e Universidade Industrial de Santander) já estão na fase de teste de protótipos de respiradores artificiais (essenciais para os pacientes de COVID-19 mais graves). Tais protótipos são mais baratos em comparação com os respiradores importados. Por que então os governos gastam somas astronômicas importan-do dispositivos caros em vez de investir no desenvolvimento de tecnologia local?

Outro exemplo importante é o da Universidade Federal de Uberlândia, no Brasil, que está desenvolvendo testes rápidos e baratos para detectar casos de COVID-19. O Instituto de Ciência e Tecnologia em Teranóstica e Nanobiotecnologia (INCT TeraNano) é responsável pela pesquisa e garante que o teste pode apresentar resultados em um minuto (atualmente, os testes usados no Brasil levam meia hora para dar o resultado). Os testes custarão menos de US$ 8 e também não exigirão reagentes adicionais, reduzindo ainda mais os custos. Nesses testes, um laser analisa os componentes salivares e determina (usando inteligência artificial) se a saliva do paciente apresenta o vírus ou não.

Respirador

As iniciativas de universidades públicas para solucionar problemas causados pela COVID-19 abundam em América Latina. Na Argentina, por exemplo, pesquisadores do Instituto Nacional de Tecnologia Industrial estão na última fase de testes de um ventilador para terapia intensiva. Nesse mesmo país, pesquisadores do Instituto Leloir e do Conicet desenvolveram um teste para monitorar a resposta imune de pacientes infectados com COVID-19. No Equador, a Universidade de Cuenca tem seu próprio projeto para o desenvolvimento de respiradores mecânicos. Já na Costa Rica, o Instituto Tecnológico da Costa Rica desenhou máscaras, as quais foram aprovadas pelo governo e começaram a ser fabricadas em massa pelo Instituto Nacional de Aprendizagem.  

Assim, o investimento no ensino superior e na pesquisa em ciência e tecnologia parece ser uma alternativa vital para solucionar problemas de nossos povos e estar preparado para futuras situações adversas relacionadas às mudanças climáticas, às possíveis catástrofes e ao surgimento de novas doenças. 

Para mais informações:


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Alfonso Pineda

emailalfonso.pineda@revistabioika.org

Sou biólogo colombiano, finalizando doutorado no Brasil. Acredito que qualquer uma das áreas do conhecimento pode contribuir para a melhoria da vida dos demais, e que a educação é uma ferramenta poderosa. Além disso, acredito que o acesso a informação permite às pessoas maior protagonismo social.

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Alexandrina Pujals

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Bióloga, especialista em Planejamento Ambiental, Gestão dos Recursos Naturais e Mestre em Ciências Ambientais. Acredito que o conhecimento científico tem valor maior quando compartilhado e popularizado. A divulgação torna esse conhecimento acessível ao público, alinhando argumentos e ideias que busquem a conservação do meio ambiente.

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Ángela Gutiérrez C

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De acordo com minha formação na educação pública, acredito na necessidade de fazer acessível para todos, os resultados das pesquisas científicas. O que é feito? Para que serve? Como posso contribuir? Acredito que o trabalho multidisciplinar é a chave para propor soluções que possam gerar uma sociedade justa, sustentável e igualitária.

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Bárbara Angélio Quirino

emailbarbara.quirino@revistabioika.org

Bióloga e mestranda em ecologia pela Universidade Estadual de Maringá. As pequenas ações individuais são primordiais, mas somente quando estendemos nosso conhecimento para outras pessoas e unimos forças é que, de fato, podemos revolucionar o mundo.

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Carolina Gutiérrez Cortés

emailcarolinagc@revistabioika.org

Sou microbióloga e trabalho com a geração de novas alternativas para o processamento saudável de alimentos mediante o uso de aditivos naturais. Espero poder compartilhar este conhecimento e aproveitar as experiências de outras pessoas. Por isso, acredito no desafio de comunicar com uma linguagem simples tudo o que é produzido na academia.

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David González

emaildavid.gonzalez@revistabioika.org

Publicitário, fã da linguagem escrita e audiovisual. Acredito que a ciência, a tecnologia, a arte e a comunicação têm o poder de criar bem estar, toda vez que estejam ao serviço da cultura, do cuidado do entorno e das causas mais generosas.

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Gabriela Doria

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Sou bióloga/botânica apaixonada pelas plantas e o conhecimento da natureza. Doutora em Ciências das Plantas na Universidade de Cambridge. Tão importante como desenvolver pesquisa de alta qualidade é motivar a curiosidade científica e o desfrute razoável da natureza na sociedade.

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Isabela Machado

emailisabela.machado@revistabioika.org

Formada em Biologia e Comunicação Social, especilista em Comunicação empresarial. Sou mestranda em Tecnologias Limpas e Sustentabilidade, com experiência científica e profissional em Ecologia Aquática, Educação Ambiental, Sustentabilidade, Jornalismo Ambiental e Assessoria de imprensa.


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