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Carolina Mendes Muniz

emailcarolina_mendes_muniz@hotmail.com

Bióloga, mestre em Ciências Ambientais pelo Programa de Pós-graduação em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais (PEA-UEM). Atualmente é doutoranda pela mesma instituição. Atua nas área de ecologia, com ênfase em ecologia de peixes e reservatórios.

Qual a relação entre reservatórios e invasão de espécies alienígenas nos nossos rios?

Reservatórios, destinados principalmente à geração de energia elétrica, ocupam rios brasileiros, alteram as condições ambientais e favorecem espécies invasoras. O artigo da seção Ecoando, identificou as características que tornam os reservatórios susceptíveis para a instalação de espécies invasoras e como a proximidade entre eles afeta a composição da assembleia de peixes.



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criação de tilápias

Eu aposto que você deve estar se perguntando: existem espécies alienígenas em nossos rios? Nossos rios estão sendo invadidos? Eu devo me preocupar com isso?

E a minha resposta é SIM para todas elas. Mas calma! Talvez não seja bem do jeito que você está imaginando. As espécies alienígenas em questão são aquelas que não são originais da região onde foram encontradas, ou seja, foram trazidas de sua região original/nativa e introduzidas ali por ação humana. Mas apesar de você estar mais aliviado agora, eu não tenho boas notícias sobre essas espécies. Isso porque existem diversos registros de impactos negativos dessas espécies nos ecossistemas terrestres e aquáticos. Em ambientes de água doce, ecossistema onde realizamos nosso estudo, um exemplo muito popular é a tilápia. Essa espécie de peixe tem origem africana e está sendo produzida em larga escala no Brasil.  

O problema é que muitas vezes esses peixes acabam escapando dos tanques de produção e chegando aos rios. E assim como ocorre com a maioria dos casos de invasões biológicas, existem diversos impactos negativos das tilápias e de outras espécies alienígenas, como: redução na qualidade da água, competição direta com espécies nativas (por alimento ou habitat), consumo excessivo de organismos aquáticos pelas espécies alienígenas, ocasionando alteração na comunidade aquática. Assim, ambientes que apresentam espécies alienígenas correm risco de extinção de algumas espécies nativas e perda de serviços ecossistêmicos

Modelo conceitual de invasão

Mas e aí? O que os reservatórios têm a ver com isso?

Os reservatórios são locais para armazenamento de água com finalidade de abastecimento das cidades, dessedentação de animais e geração de energia, através das usinas hidrelétricas. Existem muitos reservatórios na maioria dos rios brasileiros e, atualmente, há um grande investimento em nosso país para construção de novos reservatórios, principalmente para geração de energia. Para explicar melhor a relação entre os reservatórios e as espécies alienígenas, eu preciso falar de algumas características dos reservatórios. Para quem não sabe, os ambientes represados são considerados umas das piores ameaças a biodiversidade de ambientes aquáticos. Isso porque, após o represamento, o rio muda drasticamente suas condições ambientais. O que antes era um rio com fluxo contínuo de água, passa a ser um grande lago com baixíssimo fluxo. 

UHE Salto Caxias

Alguns pesquisadores já chegaram a considerar os reservatórios como “desertos aquáticos”, e o motivo é porque a maioria das espécies nativas de peixes não conseguem permanecer na região. E é justamente esse um dos fatores que tornam os reservatórios ambientes muito propícios à proliferação de espécies alienígenas. A espécie “que vem de fora” encontra um ambiente sem competidores, predadores e parasitas naturais que as reconheçam, e isso torna o reservatório perfeito para ela se instalar. Além disso, é muito comum a construção de reservatórios “um próximo do outro” (o que chamamos de reservatórios em cascata, ou em sequência) em nossos rios, isso faz com que as espécies alienígenas encontrem vários ambientes próximos que são ideais para seu desenvolvimento. E como consequência, os efeitos sobre o ecossistema são ainda maiores. 

Assim, o objetivo do nosso estudo foi avaliar quais reservatórios possuem maior quantidade de espécies alienígenas (ex: Seriam os reservatórios maiores? Os mais antigos? Os que possuem águas mais quentes?); E verificar se os reservatórios que estão mais próximos entre si são mais parecidos quanto a composição de espécies alienígenas. Respondendo essas questões, é mais fácil prever locais mais suscetíveis e mais perigosos para instalação dessas espécies.

E aqui chega o ponto importante do trabalho que desenvolvemos: se compararmos o reservatório com a extensão total do rio, ele não passa de um pequeno local no todo, certo? 

Errado!! Isso porque hoje nossos rios estão tomados pela construção de hidroelétricas e reservatórios para abastecimento das cidades. No estado do Paraná, onde realizamos este estudo, alguns rios como Paranapanema e Iguaçu possuem esses empreendimentos por toda sua extensão. E o resultado do nosso trabalho demonstra que os reservatórios maiores e mais antigos são aqueles que fornecem um ambiente ideal para o crescimento das populações de espécies alienígenas. Portanto, quanto mais extenso e mais antigo for o reservatório, maior a quantidade de indivíduos de espécies alienígenas ele possui. Ainda, reservatórios vizinhos compartilham um maior número de espécies alienígenas, ou seja, espécies estão conseguindo se dispersar pelo rio através dos reservatórios. E uma vez que os rios apresentam muitos locais ideais para o desenvolvimento e crescimento das espécies alienígenas, elas podem se dispersar por toda bacia hidrográfica. Os reservatórios funcionam como um passaporte para a invasão biológica de peixes. Os reservatórios facilitam a passagem das espécies alienígenas de um lugar ao outro, assim como um passaporte facilita a passagem de uma pessoa entre países. 

passaporte

Assim, há evidências de que além dos impactos ambientais comuns de reservatórios, eles também fornecem ameaças para invasão biológica em rios, tornando necessário o monitoramento contínuo desses ambientes. Assim, uma vez que é encontrada uma espécie alienígena nesses ambientes, medidas emergências devem ser tomadas para evitar sua proliferação.

Artigo original disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s10530-019-02105-7

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Taise Miranda Lopes

emailtaise.lopes@revistabioika.org

Sou bióloga e doutora em ciências ambientais pela Universidade Estadual de Maringá (Brasil). Acredito que o acesso ao conhecimento, seja através de políticas públicas e divulgação científica, é imprescindível para a construção de uma sociedade mais empática, justa e sustentável.

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Aleja Vélez Denhez

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Estou interessada no estudo de tecnologias sustentáveis que contribuam na diminuição do impacto ambiental das nossas ações cotidianas. Acredito que compartilhar o conhecimento é um dever do pesquisador, e criar consciência do impacto que as nossas decisões têm sobre a saúde do planeta é um passo necessário para a sua preservação.

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Alexandrina Pujals

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Bióloga, especialista em Planejamento Ambiental, Gestão dos Recursos Naturais e Mestre em Ciências Ambientais. Acredito que o conhecimento científico tem valor maior quando compartilhado e popularizado. A divulgação torna esse conhecimento acessível ao público, alinhando argumentos e ideias que busquem a conservação do meio ambiente.

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Ana Marcela Hernández Calderón

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Comunicadora social e jornalista da Universidad de la Sabana com 19 anos de experiência na área editorial. Estou convencida de que compreender a nossa mãe Terra e descobrir todas as suas mecânicas de vida, pode nos dar pistas e motivação para cuidar dela. É por isso que é indispensável que todos nós possamos acessar essa informação.

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Isabela Machado

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Formada em Biologia e Comunicação Social, especilista em Comunicação empresarial. Sou mestranda em Tecnologias Limpas e Sustentabilidade, com experiência científica e profissional em Ecologia Aquática, Educação Ambiental, Sustentabilidade, Jornalismo Ambiental e Assessoria de imprensa.

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Luis Frederico Favoreto

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Profissional com formação superior em Artes, Especialização em Comunicação Social, Cinema e Fotografia. Com experiencia em marketing e publicidade na prestação de serviços a organismos públicos e privados desenvolve filmes e comunicação entre formadores de opinião e o público em geral.

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Rafaela Granzotti

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Sou bióloga e doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Evolução da Universidade Federal de Goiás. Acredito que em um mundo globalizado e informatizado como o nosso, informação de qualidade é essencial para que as pessoas tomem decisões e assim sejam agentes de mudança para um mundo mais sustentável.


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