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Angélica Mendes Mamede

emailangelicamamede@gmail.com

Graduada em Ciências Biológicas e Mestre em Ecologia e Conservação da Biodiversidade pela Universidade Federal do Mato Grosso. Doutoranda em Ecologia e Evolução da Universidade Federal de Goiás, na linha de pesquisa de interações inseto-planta. Angélica participa de diversos movimentos para que o legado de Chico Mendes seja para sempre.

Chico vive!

A vida e o legado do Chico, meu avô, são praticamente impossíveis de resumir em poucas páginas. Aqui eu escolhi contar a história do principal legado conquistado pelo movimento dos seringueiros dos anos 80.



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Chico Mendes
Chico Mendes. / Imagem: Pilly Cowell
Há 30 anos, em 22 de dezembro de 1988, o Brasil perdia Chico Mendes.

Defini-lo, que hoje é condecorado herói nacional, é uma tarefa bem difícil, mas vou me arriscar. Em poucas palavras, Chico Mendes foi um homem à frente do seu tempo, com inteligência única, forte liderança, altruísta e com o dom de tocar as pessoas com sua fala mansa. Hoje, 30 anos após seu assassinato, temos que voltar no tempo pra compreender o quanto seu legado mudou o mundo que temos hoje. 

Chico Mendes

Nascido no seringal Porto Rico em Xapuri no estado do Acre no dia 15 de dezembro de 1944, Chico começou a cortar seringa ainda menino, aos nove anos de idade para ajudar o pai.

Naquela época predominavam relações sociais e econômicas similares à escravidão na Amazônia. Somente aos 19 anos, foi alfabetizado por um refugiado político que vivia nas matas brasileiras. Iniciou sua vida sindical anos depois, em 1975, ajudando a criar os Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de Brasileia e de Xapuri. Uma das principais lutas do sindicato naquela época era impedir com que fazendeiros latifundiários levassem ao desmatamento de grandes extensões de terra, o que prejudicava a permanência dos seringueiros na floresta.

Chico Mendes

Em 1985, Chico Mendes liderou a organização do 1º Encontro Nacional dos seringueiros realizado em Brasília que resultou na criação do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS) e da proposta de Reserva Extrativista. A ideia de grupos sociais lutando pela proteção da natureza porque dela dependiam para viver, evocada por Chico Mendes em nome de milhares de seringueiros, castanheiros, pescadores e outros grupos extrativistas, mudou o pensamento ambiental no Brasil e no mundo. A proposta de criação de Reservas Extrativistas passou a canalizar a energia do CNS desde sua criação com o apoio das entidades ambientalistas de todo o mundo.

Chico Mendes

Ao lutar contra o desmatamento da Amazônia, grilagem de terras e conflitos fundiários, Chico Mendes provocou a ira de grileiros de terra que se viam ameaçados pelas conquistas que os seringueiros estavam alcançando e foi assassinado, no dia 22 de dezembro de 1988. Em consequência do impacto internacional do assassinato de Chico Mendes, o governo brasileiro aprovou proposta do CNS de transformação das áreas tradicionalmente ocupadas em reservas extrativistas. O conceito de valor da floresta em pé, defendido por ele, culminou no reconhecimento, pelo Estado, do papel social desempenhado pelas populações extrativistas na conservação da natureza. 

Chico Mendes

As Reservas Extrativistas são um dos grandes legados do Chico e dos povos da floresta. As quatro primeiras só foram criadas em 1990. Atualmente, na Amazônia, as Reservas Extrativistas e Reservas de Desenvolvimento Sustentável, federais e estaduais, totalizam 92 unidades, cobrem uma área de 34.925.910 hectares, representando 4,8% da Amazônia Legal, 19% das UCs e 8% das florestas da região, beneficiando 1.500.000 pessoas. Em outras regiões do Brasil existem 29 unidades abrangendo 534.285 hectares.

A vida e o legado do Chico, meu avô, são praticamente impossíveis de resumir em poucas páginas. Aqui eu escolhi contar a história do principal legado conquistado pelo movimento dos seringueiros dos anos 80. Mas são muitas as histórias de vida de um homem que realmente fez a diferença nesse mundo. Agora, após 30 anos sem ele aqui, esse legado vem sendo ameaçado por políticas que querem acabar com o meio ambiente e as áreas protegidas. Por pessoas que querem esquecer o passado e hoje passam a ludibriá-lo. O que ninguém sabe é o quanto dependemos dessa conexão com nossa casa, o planeta Terra, para sobrevivermos. A luta é pela humanidade.

No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade.

Chico Mendes


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Rosa Dias

emailrosa.dias@revistabioika.org

Bióloga com Doutorado em Ecologia pela Universidade Estadual de Maringá (PEA/UEM). Considero que só através da socialização do conhecimento poderemos alcançar uma sociedade mais justa. Tenho grandes e diversos sonhos! Um deles é acreditar que a educação amplia as almas e recria os horizontes; é a alavanca das mudanças sociais!

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Alfonso Pineda

emailalfonso.pineda@revistabioika.org

Sou biólogo colombiano, finalizando doutorado no Brasil. Acredito que qualquer uma das áreas do conhecimento pode contribuir para a melhoria da vida dos demais, e que a educação é uma ferramenta poderosa. Além disso, acredito que o acesso a informação permite às pessoas maior protagonismo social.

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Ángela Gutiérrez C

emailangela.gutierrez@revistabioika.org

De acordo com minha formação na educação pública, acredito na necessidade de fazer acessível para todos, os resultados das pesquisas científicas. O que é feito? Para que serve? Como posso contribuir? Acredito que o trabalho multidisciplinar é a chave para propor soluções que possam gerar uma sociedade justa, sustentável e igualitária.

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Anielly Oliveira

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Bióloga por paixão, acredito que o conhecimento científico gerado na academia deve buscar meios de encontrar a sociedade. Quanto mais isso for feito, menos políticas errôneas serão adotadas pelos tomadores de decisões.

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David González

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Publicitário, fã da linguagem escrita e audiovisual. Acredito que a ciência, a tecnologia, a arte e a comunicação têm o poder de criar bem estar, toda vez que estejam ao serviço da cultura, do cuidado do entorno e das causas mais generosas.

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Mirtha Angulo

emailmirtha.angulo@revistabioika.org

Bióloga pela Universidade do Cauca (Colômbia). Estudante de Doutorado em Ciencias Ambientais na Universidade Estadual de Maringá (Brasil). Acredito que a socialização dos estudos ecológicos, pode nos ajudar a criar consciência da importância dos nossos recursos naturais e dessa forma garantir seu cuidado e preservação.


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