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Victor Kshesek

emailvictorkshesek@gmail.com

Graduando do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná. Trabalha com botânica, educação ambiental e agroecologia.

Que cara tem a terra com cara de nada?

Um poema que expressa as transformações que a natureza enfrenta devido às ações dos seres humanos.



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Para cuidar tem que amar,
tem que gostar, tem que querer.
Tem tanta coisa que vai embora
antes de a gente conhecer. 

Hoje, neste Brasil tropical,
as vezes até me sinto mal.
Meio carente, sem saber
qual é meu Brasil natural.

A gente já pensa em bananeiras
que 500 anos atrás nem estavam aqui.
Aonde estão todas as caras 
do Brasil que eu nunca vi?

Vejo nossas matas devastadas, há pouco
eram florestas e logo já não mais.
Hoje se, reerguendo,
algo me perturba a paz.
São alfeneiros, pau-incenso, 
e tantos que, como nós, não deviam estar aqui.
Somos aqueles que, para pavimentar calçada, usam terra de Sambaqui(a).

Falo sobre gente dessa terra explorada 
e depois aterrada pois ficou rasa.
Desconheço minha terra.
Como posso chamá-la de casa?

As minhas plantas nativas,
eu nunca conheci.
Hoje eu sinto saudades
do Brasil que não vivi.
Dá para olhar
e dá para perceber.
Graças a Deus ainda
há um pouco a conhecer.

Todo o esforço do cientista,
do ambientalista em proteger.
defendendo o que resta,
correndo risco de morrer.

Clamo a meu povo, 
do campo e da cidade.
Vamos juntos resgatar
a nossa identidade.

Nosso país foi invadido
e saqueado, mas ainda
nos oferece tanto 
para ser admirado.

Mas para isso, 
é preciso agir.
Adote uma planta nativa,
façamos nosso velho Brasil sorrir.

Tem tanta fruta, tanta flor
que a gente nunca viu,
que por inveja e ganância,
sumiu junto ao Brasil.

Tantas cores e sabores
que deixamos de provar
para satisfazer o olhar
daqueles que não precisamos agradar

Hoje não culpo ninguém,
mas clamo por piedade
para livrar da ilusão
nossa humanidade.

Ainda dá para arrumar,
com o pouco que tem,
dá para remendar, mas para isso
precisamos acordar.

Lembra-te dos teus avós,
de todos os teus ancestrais,
estamos apagando o mundo deles
junto aos nossos ideais.

E ficando com uma terra 
sem cara nenhuma,
onde tudo é igual.
Não tem cara de nada e logo já nem sei mais o que é real.

(a) Sambaquis são grandes montanhas erguidas em baías, praias ou na foz de grandes rios por povos que habitaram o litoral do Brasil na Pré-História. Eles são formados principalmente por cascas de moluscos – a própria origem tupi da palavra sambaqui significa “amontoado de conchas”. Mas essas elevações também contêm ossos de mamíferos, equipamentos primitivos de pesca e até objetos de arte, num verdadeiro arquivo pré-histórico. Os arqueólogos calculam que existam milhares de sambaquis espalhados pela costa do país. Os mais antigos nasceram há cerca de 6.500 anos.  

Para mais informações:


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Anielly Oliveira

emailanielly.oliveira@revistabioika.org

Bióloga por paixão, acredito que o conhecimento científico gerado na academia deve buscar meios de encontrar a sociedade. Quanto mais isso for feito, menos políticas errôneas serão adotadas pelos tomadores de decisões.

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Alexandrina Pujals

emailale.pujals@revistabioika.org

Bióloga, especialista em Planejamento Ambiental, Gestão dos Recursos Naturais e Mestre em Ciências Ambientais. Acredito que o conhecimento científico tem valor maior quando compartilhado e popularizado. A divulgação torna esse conhecimento acessível ao público, alinhando argumentos e ideias que busquem a conservação do meio ambiente.

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Ana Marcela Hernández Calderón

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Comunicadora social e jornalista da Universidad de la Sabana com 19 anos de experiência na área editorial. Estou convencida de que compreender a nossa mãe Terra e descobrir todas as suas mecânicas de vida, pode nos dar pistas e motivação para cuidar dela. É por isso que é indispensável que todos nós possamos acessar essa informação.

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Ángela Gutiérrez C

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De acordo com minha formação na educação pública, acredito na necessidade de fazer acessível para todos, os resultados das pesquisas científicas. O que é feito? Para que serve? Como posso contribuir? Acredito que o trabalho multidisciplinar é a chave para propor soluções que possam gerar uma sociedade justa, sustentável e igualitária.

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David González

emaildavid.gonzalez@revistabioika.org

Publicitário, fã da linguagem escrita e audiovisual. Acredito que a ciência, a tecnologia, a arte e a comunicação têm o poder de criar bem estar, toda vez que estejam ao serviço da cultura, do cuidado do entorno e das causas mais generosas.

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Lucas Waricoda

emaillucas_nobuo@revistabioika.org

Músico e jornalista, já fiz um pouco de tudo nessa vida – o suficiente pra saber com quem e pelo que me entregar. Passei por jornais impressos, digitais, revistas, rádios, agências de publicidade e continuo tentando aprender a aliar tudo isso com a rotina maluca de uma banda autoral independente.


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